O tango e o resgate das emoções

Raul Cabral
Raul Cabral e os alunos de Brasília durante aula no Ayala Café

Raul Cabral esteve em Brasília na última semana para ministrar dois intensivos. Natural de Buenos Aires, o mestre e dançarino de tango é requisitado em diversos países. Em sua breve passagem trouxe informações valiosas sobre a essência e o estilo milongueiro, praticado em qualquer baile que você venha a visitar na capital do tango. O Tango Candango em sua estréia traz uma entrevista exclusiva com Raul Cabral para que você conheça um pouco mais desse profissional e do tango argentino.

Tango Candango- O que te motivou a dançar tango?

Raul Cabral – Havia perdido o meu pai durante a minha juventude. Sentia muitas saudades e um dia ao visitar a minha mãe pedi a ela para ver fotos da família. Em muitas das festas meu pai aparecia nas fotos dançando tango, com o nosso típico abraço. No fim de semana seguinte fui dançar tango em uma das escassas milongas que já existiam naquela época. Na semana seguinte iniciei as aulas com um mestre do tango que ministrava a mesma classe em vários bairros. Fiz todas da semana e dos meses seguintes. Não parei mais. Faz 20 anos.

Tango Candango – Você acredita que é possível ensinar o amor pelo tango?

Raul Cabral – Trato fundamentalmente de transmitir essa paixão pelo tango aos meus alunos. O meu objetivo é que eles se encontrem com os seus sentimentos, suas emoções e recordações. Por muitos anos meu slogan comercial dizia “Descubra tu sentimentos”.

Tango Candango – O que uma pessoa que começa agora a dançar tango deve saber? É uma dança tão difícil mesmo?

Raul Cabral – A informação que transmitem é de que o tango é uma dança difícil, que exige muita habilidade. As imagens públicas – cinema, tevê, jornais- no mundo correspondem a bailarinos de espetáculo. Não se promovem as milongas salvo em meu país. Mas devo dizer que também lá é pouca a verdadeira difusão em comparação com o anterior descrito. É lógico que com essa imagem parece difícil de aprender. Felizmente o boca a boca e o trabalho de professores aumentaram permanentemente a comunidade do tango. Temo pecar pelo orgulho, mais ainda hoje – 25 anos depois do surgimento do tango- não existe uma pedagogia universal. Cada professor ensina o que sabe e o que aprendeu. É importante que os alunos freqüentem as milongas para ter acesso a realidade do baile social. Assim, saberão o que devem aprender.


Tango Candango – O que pode ser feito para melhorar a prática, a performance pessoal?

Raul Cabral– O tango tem um processo que não há como medir com precisão, depende do talento individual, não trata-se apenas de dar atenção para si mesmo. Se bem que é necessário uma auto estima alta, tanto para aprender quanto para bailar. Não ter pressa é o melhor conselho que posso dar. Quanto mais tempo pratiquem, melhor dançarão. Em cada aula ou prática vão conhecer uma novidade em seu corpo. Então para os apaixonados investiguem as suas respostas corporais e a dos seus companheiros. Experimentem como mover e como permitir o movimento.

Tango Cadango – Quais são as milongas que você costuma freqüentar em Buenos Aires?

Raul Cabral– Cada vez estou menos no meu país. Quase sou um turista, mas quando estou em Buenos Aires sou um furioso freqüentador das milongas. As vezes por simpatia com os organizadores, outras porque sei quem são os freqüentadores ou por determinado DJ. O importante é que cada um encontro o seu lugar, porque o que me agrada não necessariamente agrada os outros. As preferidas são: Gricel (segunda),  Porteño y Bailarin (terça e domingo), Niño Bien (quinta), Parakultural Salón Canning (sexta) e Cachirulo (sábado).

Tango Candango – Quais são as suas orquestras preferidas?

Raul Cabral – Toda a discografia de Carlos Di Sarli, dos anos 20 aos anos 50, Osvaldo Pugliese, Osvaldo Fresedo e Miguel Caló. Prefiro a linha melódica sobre a rítmica, faz quatro anos que danço a melodia.

“Recuerden:a la búsqueda en el tango de las emociones, no a las acciones. Ha encontrar el placer, y no el movimiento. Ha abrazarse con afecto, y no tomarse con los brazos. Ha ofrecer sus corazones, lo mejor que tienen y no al maltrato. Atentamente”, Raul Cabral.

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