Livro lista os 100 piores tangos da história

Portal R7 -20/09/2010 às 8h29

A relação ousa ao incluir clássicos do gênero como La Cumparsita

Foto:Natasha Pisarenko/AP O Museu Carlos Gardel, em Buenos Aires, é um dos templos mundiais do tango

Entre os milhares de tangos compostos em um século de história de ritmo no compasso dois por quatro, existem ao menos cem que são considerados os piores.

Na lista dos péssimos estão vários que ganharam popularidade na voz de grandes cantores como Carlos Gardel, conta o especialista argentino que teve a difícil tarefa de classificá-los.

O livro Los 100 Peores Tangos, de Enrique Espina Rawson, que preside o Centro de Estudos Gardelianos (CEG), não só analisa as composições bizarras, espantosas, contraditórias, mas investe contra tangos reconhecidos.

Entre esses famosos, temos Fumando Espero, La Cumparsita, Azúcar, Pimienta y Sal e Fea, entre outros de grande sucesso. O autor explica seus critérios.

Tangos ruins existem muitíssimos, o difícil foi classificar os cem piores. Usei o meu próprio critério. Não tive a intenção de ofender ninguém, mas estou preparado para enfrentar as previsíveis polêmicas.

A classificação, que reúne letras ridículas, inverossímeis e involuntariamente cômicas em uma mistura onde a soma das partes excede o todo, inclui alguns poucos passos duplos (passo doble) e o ritmo da rancheira que foram adaptados ao tango.

Os compositores se apegaram a falsos estereótipos, os versos aludem a ambientes rústicos, alheios à origem do tango e citam o arrabal (subúrbio), uma região indefinida mais próxima ao cenário do que a geografia.

Na opinião dele, o cúmulo é que os compositores levaram o tango para cenários exóticos como a Rússia, Japão e o Oriente, quando no máximo que se poderia tolerar eram alusões a locais estrangeiros que os grandes cantores visitaram, como Paris.

Espina detalha que Fumando Espero, de insuspeitado êxito nos anos 20 e popularizado por Sarita Montiel, é um tango espanhol cuja protagonista poderia ser acusada de apologia às drogas, já que foi comprovado que fumar não é genial, tampouco sensual.

– Quando a letra diz ‘mi egipcio es especial/qué olor señor’ (meu egípcio é especial/que cheiro o senhor, em livre tradução) acreditávamos que fosse uma referência a um senhor nascido no Cairo, mas agora vemos que foi a um cigarro fabricado naquela região.

O autor diz que a letra do tango Fea (Alfredo Navarrine), que Gardel gravou duas vezes com a orquestra de Osvaldo Fresedo, não está ruim, mas é inverossímil e risível o excesso de dramaticidade que faz com que a infeliz protagonista se suicide na última estrofe.

A letra de La Cumparsita, fruto da febril inspiração do uruguaio Gerardo Mattos Rodríguez, também autor da música, é um susto que relata a infâmia de quem abandonou a sua mãe, que morre de frio, nada menos.

O analista lamenta que Rodríguez desautorizasse a letra escrita por Pascual Contursi e Enrique Maroni, que era algo mais digno, sem ser uma maravilha, além de ser a que popularizou a obra.

O autor do livro critica ainda o tango Azúcar, Pimienta y Sal, no qual as três palavras são repetidas a exaustão, o que deveria estar proibido. Ele lembra que este tango foi uma peça de batalha da orquestra de Héctor Varela, um dos criadores do tema junto a Abel Aznar e Ernesto Rossi.

Espina perde a paciência com Gitana Rusa (Juan Sánchez Gorio e Horacio Sanguinetti) porque não se sabe a partir de onde o relator espreita sigilosamente as viagens da cigana e não avisa em que para simplesmente de procurá-la.

Mas o cúmulo talvez seja Petruschka, que Agustín Magaldi cantou com entusiasmo e cuja letra para o autor do livro é tão inconcebível como escrever cumbias (dança popular da Colômbia e Panamá) ambientadas em São Petersburgo.

A composição de Retta y Dumont, com música de Francisco Pracánico, alude aos encantamentos de uma mulher quando o título da obra pode traduzir-se como Pedrito, o que dá um inesperado viés gay à composição, especifica.

Abuelito, que foi gravada por Gardel e também pelo uruguaio Julio Sosa, afirma Espina, leva ao questionamento de como é possível que o idoso, apesar de sua notória tendência ao tinto (vinho), tenha tanta falta de sensibilidade em contar ao neto uma história tão patética que, para o cúmulo, é a história de sua mulher.

Espina agradece e faz seu o verso de Enrique Maroni: tango que me hiciste mal, y sin embargo te quiero (tango que me fizeste mal, te quero sem dúvidas).

“Copyright Efe – Todos os direitos de reprodução e representação são reservados para a Agência Efe.”


Um comentário sobre “Livro lista os 100 piores tangos da história

  1. kkkkkkkkkkkk…Quem pode criticar critica ne? Eu gosto de tudooooo….rs! Lógico que umas musicas gosto mais que outras, mas como não sou especialista da pro gasto. Rs!
    Bjos

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