De passagem pelo Rio? Dance tango.

A academia Improviso localizada em Botafogo, no Rio, traz em duas ocasiões professores consagrados no tango. Confira a agenda. Caso esteja na cidade não recomendo perder. Rua da Passagem 172/ 2° e 3° piso – Botafogo. Contatos: Alice (21) 9665-4489 e André (21) 7159-6220

15 e 16 de Janeiro:
Seminário Especial de verão com Daniel Raphael,
Daniela Pucci e Luis Bianchi
Temas: Técnica de Boleos e Colgadas

11, 12 e 13 de Fevereiro:
Workshop Especial de Tango com Milena Plebs e David Palo
Temas:
-Técnica de adornos em movimento p/ homens e mulheres.
-Sacadas, ganchos, enrrosques, boleos sem romper a harmonia do abraço.
-Giros técnica e sequências.
-Mudanças de dinâmicas, corpos dissociados bailando no abraço.

12 de Fevereiro
Sábado:
Baile de Tango – Aniversário Alice Vasques
No Leme Tênis Clube às 21:30 h
Participação especial de Milena Plebs e David Palo

Anúncios

Prática de tango

Olá.

Você está em Brasília? Com saudade de dançar e festejar a chegada de 2011?
Hoje à noite será organizada uma prática de tango, com a presença de professores de Fortaleza.
O organizador da milonga entre sueños,Oscar Ricarte, conta com a parceria da Cléa de Paula e convidam você para se juntar à eles nesta prática. Será cobrada a entrada simbólica no valor de R$5 para arcar com os custos de aluguel do espaço. Local? SQN 311 Bloco F – Salão de Festas.

Abaixo o cartaz com as especificações.
**Leve algo para comer e/ou beber e celebre a chegada de 2011.

Buenos Aires: A ‘Rainha do Plata’ mostra seus encantos

Por Néstor J. Beremblum – 26.12.2010 às 10:19:00
O Repórter

Final do ano, época de férias, é uma boa oportunidade para viajar. Não muito longe está uma cidade que nos últimos tempos virou destino preferido pelos brasileiros, Buenos Aires. A capital argentina vem sendo invadida por turistas do Brasil todo ávidos por conhecer os segredos e as delícias culinárias dos “hermanos”, e claro, com o câmbio muito favorável, fazer compras muitas vezes a preços de banana em alguns produtos.

“As ruas de Buenos Aires têm esse, sei lá o que, viu?” diz o tango de Mariano Mores, cantado por Roberto Goyeneche que se ouve em qualquer uma dessas livrarias e lojas que vendem CDs da Avenida Corrientes, no centro da cidade. A mais famosa das avenidas portenhas que possui uma mistura de cinemas, teatros e pizzarias, onde os visitantes podem comer até altas horas da madrugada. É a que nunca dorme, como dizem orgulhosos, os nascidos na cidade.
E é que realmente as ruas da cidade capital da Argentina têm uma magia contagiante. Assim como a maioria de seus habitantes, o movimento e a atividade são frenéticas. É um ir vir de pessoas que andam e se atropelam na rua Florida, só para pedestres e que atravessa o centro desde a Plaza de Mayo até a Plaza San Martín, bem em frente do famoso edifício Kavanagh, que fora o mais alto da América do Sul quando se ergueu em 1936.

Buenos Aires é uma cidade com várias regiões para visitar, cada uma com sua própria identidade. Os bairros localizados ao Sul (San Telmo, Montserrat, Barracas e La Boca) são os mais antigos, os primeiros que foram ocupados. Já para o Norte, estão os bairros mais sofisticados como Retiro, Recoleta, onde se localizam os melhores hotéis, Palermo e Belgrano. Desde a última década do século XX, outro ponto turístico entrou na disputa, tanto na hospedagem dos visitantes como na oferta de programas: Puerto Madero.
Ao som do dois por quatro, o ritmo do tango, o visitante precisa andar. Pois conhecer Buenos Aires demanda um certo tempo. Imagine só, se a própria cidade precisou de duas fundações (em 1536 por Pedro de Mendoza e em 1580 por Juan de Garay, o turista deve de ter tempo e disposição para caminhar, olhar e desvendar os mistérios que a cidade possui. Buenos Aires, como todas as cidades que os espanhóis criavam, tinha uma Praça central -a atual Plaza de Mayo- uma igreja, e os prédios da administração espanhola na colônia.

Foi se estendendo para o Sul, por isso os bairros de San Telmo e Monserrat, mais tarde Barracas e La Boca, foram dos primeiros a serem habitados e onde se estabeleceram as famílias mais aristocráticas. Com a epidemia de febre amarela de 1871, essas famílias se mudaram para o norte da cidade.

As famílias “patrícias” -como se chamam àquelas que chegaram no início da colonização- ao deixar suas casas, fizeram o primeiro grande negócio imobiliário, alugando quartos individuais dos casarões aos trabalhadores. Assim, várias famílias conviviam na mesma propriedade. Esses bairros foram os de maior presença negra na cidade. San Telmo oferece muitas atrações, a começar pela arquitetura. Um bairro onde grande quantidade de prédios são tombados, declarados Patrimônio Histórico da Cidade.

De 1970 para cá, o governo portenho se preocupou em preservar e restaurar algumas construções históricas do bairro. Dentre essas, destacam-se: La Casa Mínima, a Feira de Antigüidades, a rua Defensa e os bares ao ar livre da Plaza Dorrego, onde o turista pode assistir a diversos shows típicos e artistas de rua.

É também o local onde há maior proporção de “hostels” e albergues. O preferido pelos turistas europeus para ficar, pela proximidade das muitas casas de tango, onde além de assistir os shows, quem se interessar, pode fazer aulas. E também porque o bairro é um convite a caminhar e percorrê-lo pelas ruas de paralelepípedos, entrar nos já clássicos “Restobares” -neologismo portenho que denomina os estabelecimentos que oferecem o típico café, mas acrescentaram o serviço de restaurante com pratos executivos a preços acessíveis- e fica a 15 minutos a pé de Puerto Madero, da Plaza de Mayo, e perto do bairro de La Boca.
A região que ocupa o bairro de La Boca é onde Pedro de Mendoza fundou pela primeira vez a cidade de Buenos Aires em 1536. Na época da colônia espanhola, era uma localidade aonde chegavam e habitavam os escravos negros em grandes barracões. Depois, com a independência, ali, salgavam-se as carnes que a Argentina exportava junto a oficinas onde se curtia o couro.

Foi o principal porto de Buenos Aires e, no final do século XIX, ainda era o local aonde chegavam a maioria dos navios. Desta forma, o bairro começou a ser habitado por imigrantes italianos, principalmente genoveses, que deram o estilo que é mundialmente conhecido na atualidade.

Em La Boca, são visitas obrigatórias a Caminito, um local restaurado que recria os velhos casarões que albergavam famílias de imigrantes chamados “conventillos”, e que hoje são lojas de lembranças e presentes. Também há cafés, restaurantes, artesanato e, claro, estão os artistas de rua que oferecem “bailar un tango” a caráter para imortalizar nas fotos. Também o bairro tem a famosa “La Bombonera”, o estádio de Boca Juniors, que possui um museu sobre a história do clube por onde passaram, claro Maradona além de Dino Sani, Paulo Valentim e Iarley entre outros brasileiros.
La Boca foi também berço de grandes artistas como Benito Quinquela Martín, um pintor que refletia os trabalhos portuários e o cotidiano do bairro e da população em estilo neo-impressionista e que o museu que leva o nome do artista plástico, era um terreno que em 1933 ele próprio doou para construir um edifício que albergaria uma escola, um museu de arte argentino e no qual também estaria sua própria moradia e ateliê. Ele mesmo decorou as salas com murais. A coleção do museu, que funciona no terceiro andar, foi iniciada por Quinquela Martín e inclui a maior parte da sua obra e a de outros artistas argentinos.

Como é um bairro onde a grande maioria da imigração foi italiana, há abundância das cantinas típicas, onde além de experimentar todo tipo de pratos típicos, ainda poderá desfrutar da música típica com violino e sanfona em um ambiente muito descontraído. Quem for a La Boca, também pode visitar o Museo de Cera, único da Argentina onde se exibem cenas típicas da história do bairro. Outro local que recreia o bairro é o Mural Escenográfico que tem imagens de Diego Maradona, Aníbal Troilo que foi um dos maiores músicos do tango, e Quinquela Martín. Casa Amarilla é uma reprodução da casa do Almirante Guillermo Brown -marinheiro irlandês pioneiro da força naval argentina que participou na defesa do território contra a armada inglesa- onde funciona o Departamento de Estúdios Históricos Navais.

NORTE

Se no centro e no sul da cidade, o tango é o ritmo que predomina, já nos bairros do Norte da cidade a escolha musical é mais eclética e misturada, o estilo é mais “new age”.
Recoleta foi o local onde os primeiros moradores se refugiaram durante a epidemia. O bairro leva o nome em referência aos frades recoletos descalços da Congregação Franciscana. Eles começaram a construir em 1706 o Convento e a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, que foram inauguradas em 1732. O cemitério, onde grandes nomes da história argentina, como Evita, estão sepultados também nasceu com o projeto do convento. E foi conhecido como Cemitério do Norte quando o então presidente Rivadavia o expropriou dos religiosos.

Quando as epidemias de cólera e febre amarela na década de 1870 atacaram à população que estava assentada nos bairros da região sul da cidade, as famílias mais ricas decidiram a mudança para locais mais altos –com a ideia que os locais mais altos da cidade reduziria a quantidade de insetos transmissores das doenças- e assim evitar o contágio.

Os novos moradores construíram mansões luxuosas e prédios em estilo francês, cercados por jardins e parques. O bairro evoluiu rapidamente, também ajudado pelo então prefeito Torcuato de Alvear em 1885 quem projetou a Avenida que leva seu nome, e o Puerto Madero. Com a terra das escavações das obras fez o aterro que permitiu que, atualmente, este bairro tenha um conglomerado de parques e praças.
Entre as principais atrações turísticas do bairro se encontram o já mencionado Museo Nacional de Bellas Artes, o Centro Cultural Recoleta, o Buenos Aires Design, o Cemitério, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, “Locos por el Fútbol” um bar temático sobre a grande paixão dos argentinos, Plaza Francia onde existe uma grande feira de artesanato, e numerosos bares, cafés e restaurantes com uma ambientação que lembra Paris, com mesas nas calçadas, e a sensação que o tempo passa mais devagar, sem tanta pressa nem estresse.

Outro dos bairros muito procurados pelo turismo e que possui muitos locais de hospedagem é Palermo. O nome do bairro vem do dono dessas terras. No final do do século XVI, o bairro era um campo de cultivo de frutas e videiras, propriedade de Juan Dominguez Palermo.

Por isso é o setor da cidade que conta com o maior número de espaços verdes em parques, bosques e praças da cidade. Lá convivem os ateliês de arte, as grifes de moda alternativa, os outlet para comprar roupa a melhor preço -chamado Palermo Queens- e, ainda, é um espaço onde há infinidade de alternativas para a boa gastronomia ou simplesmente para sentar em bares e pubs e curtir uma noite bem animada.

Palermo tem vários sub-bairros. Cada um com suas características próprias. Há locais onde prevalecem residências e mansões, Palermo Hollywood -chamado assim pelos estúdios de gravação de cinema e TV e muito frequentado por atores e celebridades-, Las Cañitas que é um pólo gastronômico clássico da cidade, e Palermo Soho, onde o visitante se depara com os já mencionados ateliês e lojas de design e grifes.
Pode-se dizer, que Palermo encarna em pequena escala, o ecletismo da cidade toda. Convivem em harmonia, diversas tribos e costumes. Os amantes do dia, tem a proximidade dos grandes parques, os lagos, o hipódromo, os passeios de bicicleta, cafés literários e os jardins botânico e zoológico. Para os que curtem a noite, pubs, restaurantes da alta cozinha, bares descontraídos -alguns deles com shows ao vivo- cervejarias e lojas de degustação de vinhos.

Alguns locais imperdíveis para quem passar por lá são: a praça Serrano -também conhecida como Praça Julio Cortázar- onde estão os bares “El Taller” e “Crónico”, uma feira de artesanato e muita atividade diurna e noturna.

O Jardim Botânico e o Jardim Zoológico um em frente ao outro, são passeios muito interessantes, assim como o Museu Evita para quem se interessar um pouco pela história argentina. Lá funcionava um lar para os sem teto e para aqueles imigrantes internos que vinham para Buenos Aires à procura de emprego. O visitante poderá conhecer como funcionava o estabelecimento e a obra da controvertida e mítica Eva Perón, em uma amostra bem selecionada e com variados recursos, tais como trechos de filmes, fotografias, documentos, áudios, etc.
Para os passeios ao ar livre, sem dúvida, o maior destaque é para o Rosedal. Um espaço bucólico no centro do Parque Tres de Febrero, onde há um lago e aluguel de botes para remar ou pedalar. Há uma ponte branca que data do século XIX, e que leva ao visitante à ilha central do lago. Também nesse parque estão o Planetário Galileo Galilei e o Jardín Japonês. E, com tempo bom, todo esse percurso é ideal para ser feito alugando bicicletas.

Finalmente, para quem é amante dos cassinos e o jogo, além das corridas de cavalos -onde até bem pouco tempo atrás participava o jóquei Jorge Ricardo- o hipódromo alberga roletas eletrônicas e máquinas caça-níqueis como nos melhores cassinos de Las Vegas.

CENTRO

Puerto Madero é o bairro mais novo da cidade. Baseado na experiência argentina é que está projetada a revitalização do Porto do Rio de Janeiro. Na década dos 90, as 170 hectares que tinham vários donos, todos eles de ingerência estatal, transferiu a totalidade da área para uma nova sociedade anônima e o governo da cidade ficou a cargo da regulamentação do projeto de desenvolvimento urbano.
O mais novo bairro esta divido em 4 Docas: Dique 1, Dique 2 -onde está o famoso Faena Hotel que foi desenhado por Phillip Starck, Dique 3 e Dique 4. Lá o turista encontra restaurantes, lojas, museus, a sede da Universidade Católica Argentina, o buque museu Fragata Presidente Sarmiento, e três grandes e luxuosos hotéis cinco estrelas, o já mencionado Faena, o Sofitel e o Buenos Aires Hilton; além de lojas de degustação de vinhos e outros produtos típicos argentinos. Se de conhecer a noite se trata o programa, Asia de Cuba é a boate para ir até o amanhecer.

Em 2001 foi inaugurado a Ponte da Mulher, obra do arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Uma curiosidade é que todas os nomes das ruas e avenidas do bairro são de mulheres importantes da história argentina e latino-americana. E em 2007 o governo portenho inaugurou o Trem do Leste (Tren Del Este) um pequeno metrô de superfície cujo percurso une os extremos norte e sul do bairro, cobrindo as quatro docas que o compõem.
O Abasto é um bairro de Buenos Aires bem interessante. No bairro, foi construído o primeiro mercado de abastecimento de frutas e verduras dentro da cidade, Inaugurado em 1893 com mais de 1.300 m2 inspirado em vários mercados europeus da época como o Mercado Les Halles de Paris ou o Mercat Sant Josep de la Boquería em Barcelona. Hoje é um shopping.

O fileteado, uma técnica pictórica típica do Rio de la Plata, tinha um grande acervo no bairro, junto com o tango. Anos se passaram até que o governo da cidade decidiu restaurar a rua onde Carlos Gardel viveu –era chamado “el morocho del Abasto” (o moreno do Abasto)-, e hoje há locais onde se pode comprar antigüidades, objetos típicos e temáticos sobre o tango, assistir shows e bailes, além de visitar o museu que leva seu nome.

Crédito: O repórter

Hugo del Carril

Hugo del Carril nasceu no bairro de Flores, na casa nº 256 da rua San Pedrito. Seus pais, italianos de confortável situação econômica, foram Orsolina Bertani (nascida na Argentina) e Hugo Fontana (arquiteto nascido em Milão).

Quando del Carril ainda era uma criança, seus pais se separaram e ele foi deixado a cargo de uma da família amiga formada por Francisco e Alina Fauré.

“Eu fui abandonado pelos meus pais quando tinha dois anos e nunca os perdoei”, disse ele com pesar anos mais tarde. “Cresci rolando de casa em casa. Mas depois quando meus pais estavam doentes, os cuidei até a morte. Sim, nunca visitei seu túmulo, porque nunca os perdoei. Eu sou assim.”

Cursou seus estudos secundários no Colégio Nacional Mariano Moreno, de onde foi expulso por suas repetidas faltas. Costumava frequentar um bar na rua Culpina e Províncias Unidas, onde ia o pessoal do mundo da arte, ansioso para provar-se como cantor.

Em 1927, com apenas 15 anos, fez uma de suas primeiras apresentações com o Irmãos Leguizamon, sob o nome de Pierrot. Entretanto, e para conseguir se manter, trabalhou como operário em uma fábrica de sabão e em uma vidraria. Também usou o pseudônimo de Alejo Pacheco Ramos. Fez incursões como locutor de rádio e “estribilista” (cantor de segunda classe, nos anos 1920 e 1930, que só canta o refrão de cada tango, e que era tocado todo instrumentalmente).

Naquela época, ele viajou para Pocitos (Uruguai), para visitar o avô, o psicólogo Orsini Bertani, expulso da Argentina por sua militância anarquista.

Em 1930, ele conheceu Roberto Acuña, que integrava o radioteatro Chispazos de tradición, que o levou pela primeira vez à Rádio Nacional. Juntos eles formaram a dupla Acuña-Carril, que terminou quatro anos depois, quando da morte de Acuna. Devido a estas circunstâncias, o cantor pensou em abandonar a carreira, chegando a frequentar uma escola noturna para estudar taquigrafia, mas seus amigos o incentivaram a continuar, e em 1935 chegou à Rádio El Pueblo como solista. Seu primeiro contrato foi de 180 pesos por mês. Um ano depois estreou na Rádio El Mundo tocando Guitarra, guitarra mia. Trabalhando, ali conheceu Tito Ribero, que se tornaria seu colaborador musical ao longo da vida. Naquela época, Del Carril rompeu seu noivado com Perla Moreno, uma atriz do momento.

Em 1937, o cineasta Manuel Romero o contratou para gravar um de seus tangos, Tiempos Viejos, no filme Los muchachos de antes no usaban gomina, onde atuou ao lado de Florencio Parravicini, Mecha Ortiz, Arrieta Sabina e Olmos Santiago. A partir de então o selo Lumiton o contratou para três filmes, sendo o primeiro La vuelta de Rocha com Amanda Ledesma, que foi seguido por Tres anclados en Paris e Madreselva. No último conheceu Ana Maria Martinez, então chamada Ana Maria Lynch, com a qual ela viveu uma relação tempestuosa. Com sua fama de galã e ator de aumentando, Del Carril participou de La vida es un tango, La vida de Carlos Gardel, Gente bien, El astro del tango e Confesión. Em 1941, quebrou o recorde de bilheteria com La canción de los barrios, En la luz de una estrella e Cuando canta el corazón.

Mas sua ascendente carreira artística começaria em 1943 a se misturar com sua grande paixão: a política. Naquele ano, ele filmou La pasión imposible e La piel de zapa, e conheceu o então Ministro da Guerra, Juan Perón, a quem entregou uma carta do ex-presidente mexicano Manuel Ávila Camacho. Em 1944, ele dividiu as honras com Luis Sandrini na comédia Los dos rivales. Em 1945, estreou La cabalgata del circo, onde beijou a atriz María Eva Duarte (que se tornou a esposa de Perón). “Com ela conversamos sobre muitas coisas, mas especialmente as necessidades do povo humilde. Ela sentia-se predisposta a essa gente pela sua origem, que jamais negou “, disse o ator.

No ano seguinte, no México, estrelou em Canción desesperada e La noche y tu com um sucesso extraordinário. Ainda estrelou Compadrón, Che, papusa, oi e Pobre mi madre querida. Durante uma viagem para o México teve que desmentir a própria morte. O boato, o primeiro de vários que se seguiriam, envolvia del Carril e sua companheira Ana Maria Lynch em um acidente de trânsito. Em 1949 ele estrelou, dirigiu e produziu Historia del 900, no qual fez par com Sabina Olmos. Naquele mesmo ano, gravou Marcha Peronista, que o consagrou definitivamente. “O gravei por convicção e por um pedido expresso do general Perón, ainda que soubesse que seria lembrado mais pela marcha do que pelos tangos que gravei,” diria tempos depois. No ano seguinte, atuou em El último payador, representando José Betinotti.

Em 1952, Las aguas bajan turbias alcançou o maior êxito de sua extensa filmografia. O roteiro pertencia ao militante comunista anti-stalinista Alfredo Varela, que foi preso pelo governo peronista e mesmo da prisão colaborou com a adaptação. Mas Raul Alejandro Apold, Secretário de Imprensa e Radiodifusão, proibiu Del Carril de cantar na Rádio Splendid, chamando-o de comunista. Del Carril intercedeu ante Perón por Alfredo Varela: “Por que ele está na cadeia?”, Perguntou o então presidente. “Por urinar em frente à embaixada soviética”, respondeu o artista. Depois de rir, o general respondeu: “Olha, no final, todos somos um pouco comunistas, se no final o que buscamos é a justiça social”. Varela foi imediatamente liberado.

Em 1953 ele dirigiu e estrelou El negro que tenía el alma blanca. Dois anos depois, estrelou Vida nocturna, La Tierra del Fuego e La Quintrala, mas a chamada Revolução Libertadora Argentina, que tinha derrubado o governo em 1955, lhe tomou cinqüenta e três salas de estréia, o que significou um desastre econômico. Como se isso não bastasse, foi detido para depor perante a Comissão de Cinema de Inquérito, que também tomou depoimentos de Luis César Amadori e dos Irmãos Mentasti, tendo ficado preso por 41 dias. Em 1956, depois de estrelar El último perro, e durante as filmagens de Más allá del olvido, foi detido, permanecendo na prisão da avenida Las Heras y Coronel Díaz, acusado de ter obtido fundos estatais para financiar La Quintrala. Um ano depois, ela estrelou ao lado de Gilda Lousek Una cita con la vida. Entre os dois, imediatamente se estabelece uma ligação sentimental. Em Montevidéu, com ela e sua mãe, Orsolina Bertani de Fontana, sofre de uma indisposição que fez temer por sua vida. O diagnóstico foi de ataque cardíaco, resultado dos 80 cigarros por dia que fumava.

Restabelecido, em 1960, dirigiu e atuou em Culpable. Por essa época, sozinho e separado de seus antigos amores, conheceu Violeta Curtois, com quem se casou no ano seguinte. Em 1962 dirigiu e estrelou Amorina e Esta tierra es mia, ambos juntamente com Tita Merello, que, após as filmagens, disse: “Ninguém sonhe que é fácil trabalhar com ele. Hugo é muito exigente. Com ele você tem que ensaiar e ensaiar, e somente quando considerar que atingiu o ponto ideal deve ir para as filmagens”. No final desse ano, Hugo sofre um acidente de carro a caminho da cidade de Tandil, na Argentina. Novamente se falou de sua morte trágica. Em 3 de maio de 1963, nasce Marcela Alejandra Fontana, o primeiro fruto de seu amor com Violeta. No ano seguinte, dirigiu e estrelou La calesita, La sentencia e Buenas noches, Buenos Aires. Este último, o primeiro musical a cores da Argentina, teve a participação de figuras como Beba Bidart, Nestor Fabian, Virginia Luque, Mariano Mores, Jorge Sobral, Julio Sosa e Aníbal Troilo e outros. Mas o esforço não foi reconhecido, presumivelmente por causa de seu passado político, e o Instituto Nacional de Cinematografia o exclui da delegação argentina que se apresentou em um festival de Acapulco (México). Em 26 de outubro de 1965, nasce seu segundo filho, Hugo Miguel, e apenas um ano depois nasce outra menina, chamada Amorina.

Quatro anos depois, Del Carril, que foi pai novamente, desta vez de Eva, foi convocado para estrelar El dia que me quieras, um tributo a Carlos Gardel. Também participou de dois longas-metragens dirigidos por Enrique Carreras: Viva la vida e Amalio Reyes, un hombre.

Em 1971, assinou um contrato de exclusividade com o Canal 11, onde comandou o programa Tango Club. Ao mesmo tempo, continuou se apresentando em Carpa del Pueblo, uma idéia bem sucedida que compartilhou com Saulo Benavente. No mês de outubro, na Igreja da Imaculada Conceição, Hugo e sua esposa Violet batizaram todos os seus filhos, escolhendo como padrinho Juan Domingo Perón, que do exílio enviou um padrinho substituto para representá-lo. Um ano depois, Hugo del Carril e Tita Merello estrearam em uma tenda armada em Mar del Plata, com grande sucesso. Em 1973, estrelou Siempre fuimos compañeros. Nessa altura, e superada a sua proibição política, estrelou La mala vida. Em 1975, dirigiu Yo maté a Facundo, filme com o qual se despediu como diretor. Em 1986, no Teatro Presidente Alvear foi nomeado Cidadão Ilustre de Buenos Aires. Incapaz de superar a perda de sua companheira, falecida em 12 de abril de 1986, em 16 de janeiro de 1988, Hugo Del Carril deu entrada na unidade de terapia intensiva do Hospital Privado de Mar del Plata, com um quadro complexo de infarto do miocárdio. Raul Matera, seu amigo e médico, disse: “Sua vida está sujeita apenas ao seu coração.” A recuperação foi lenta e progressiva, o suficiente para assistir em 9 de setembro desse ano, uma homenagem realizada no Luna Park, pelo 50º aniversário de sua primeira atuação.

No entanto, Hugo del Carril falece no dia 13 de agosto de 1989 às 19h40 no Instituto Cardiovascular de Buenos Aires, em virtude de uma descompensação cardíaca. Foi velado como Cidadão Ilustre no Salão dos Passos Perdidos do Conselho da Cidade de Buenos Aires. Seus restos mortais descansam atualmente junto com as de sua companheira Violeta Curtois no cemitério de Olivos.

Juan D’arienzo

Juan d’Arienzo (Buenos Aires, 14 de dezembro de 1900 — 14 de janeiro de 1976) foi um diretor de orquestra e compositor de tangos argentino, dos mais populares de todos os tempos.

Desde muito cedo participava de conjuntos musicais como violinista, e chegou a organizar uma jazzband nos anos 1920. Posteriormente, ingressou nas orquestras de teatro.

Em 1934 começou a formar sua orquestra, dotada de uma forma muito peculiar de tocar tangos, que encontrou uma notável aceitação pública. D’Arienzo resgatou o primitivo 2×4 do tango, modernizando-o para o delírio dos amantes do ritmo, que consumiam avidamente os seus discos e lotavam os locais onde a orquestra se apresentava.

Deixou muitas gravacões, sendo por 40 anos (1935 a 1975) artista exclusivo da RCA Victor, encontrando muito êxito, inclusive fora de seu país. Algumas de suas composições mais conhecidas:Milonga brava, Chirusa, El vino triste, No no veremos, Garronero, Apache, Nada más, Ya lo ves e Paciencia.

Última Milonguita do ano

Mais um ano chega ao fim! E as atividades de tango na cidade também. Atendendo a pedidos a Milonguita neste edição terá tandas de boleros. O organizador da Milonguita, Julio Ayala avisa que as atividades só retornarão no dia 04 de fevereiro de 2011. Janeiro é recesso e não haverá milonga. Ok!? Por isso, esquentem seus sapatos e venha festejar o chegada de um ano zero quilometro. Divirta-se! Um forte abraço.