Na Argentina, autores de ‘Guia para mãos-de-vaca’ dão dicas a brasileiros

Casal brasileiro vendeu 5 mil exemplares de guia turístico de NY pela web. Buenos Aires será tema do próximo, em que ensinam a fugir da inflação.

Amauri Arrais

Do G1, em Buenos Aires 

Henry e Elisa no centro da capital argentina, que será tema de novo guia. Foto: Amauri Arrais/G1

“Nunca coma em restaurantes de shoppings, são muito caros e a comida é péssima.” “Em alguns lugares não se cobra o cubierto (a entrada à refeição dos argentinos).” Passar algumas horas com o casal de brasileiros Henry Bugalho e Denise Nappi é como ler “Guia de Nova York para Mãos-de-Vaca”, um compêndio de barbadas de todos os tipos que vendeu mais de 5 mil exemplares só pela internet.

Buenos Aires, onde estão vivendo desde o final do ano passado, é o cenário do próximo guia para os turistas que não gostam de desembolsar muito dinheiro. Com o livro ainda em fase de produção, os autores dividiram com o G1 algumas das recomendações para quem quer desbravar a capital portenha, que recebe 1,5 milhão de brasileiros ao ano.

“Diferentemente de Nova York, o turista brasileiro que vem a Buenos Aires é mais simples, muitas vezes é sua primeira viagem para fora. Então vamos dar dicas desde a compra da passagem aérea”, adianta Denise.

Desde que se mudou para a Argentina, o casal já viajou para Brasil, Chile, Peru e parte da Europa aproveitando promoções de companhias aéreas. A Itália, onde passaram mais tempo, talvez seja o próximo país a ser explorado num guia.

No país de Maradona, embora os índices de inflação divulgados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, controlado pelo governo) sejam questionáveis, eles dizem já ser possível sentir o aumento dos preços no dia a dia. “Os argentinos sentem muito mais do que nós, pela desvalorização da moeda. Mas às vezes até as taxas cobradas em bancos aumentam de um dia para o outro”, conta Henry.

Vendendo água na rua
A história do casal –ele curitibano formado em filosofia e autor de vários livros de ficção não publicados, ela santista e ex-comissária de bordo- começou em 2006, com a quebra da Varig, onde Denise trabalhava. Meses depois, os dois desembarcavam em Nova York com “um mínimo” de dinheiro no bolso.

“Pagamos o primeiro aluguel de US$ 1 mil e sobrou menos ainda”, lembra Denise. Às vésperas daquele que seria o “dia mais quente do ano”, com alertas por rádio e TV para que os novaiorquinos ficassem em casa, o casal então teve a idéia que duplicaria a parca renda: investiram tudo em água mineral e um cooler e foram para uma das movimentadas esquinas de Manhattan vender.

“Depois de vender duas garrafas, veio um guarda e mandou que a gente recolhesse tudo porque não tínhamos licença para vender na rua. Ficamos com US$ 7”, conta a ex-comissária, rindo. Depois de encararem bicos em baladas e bares para brasileiros, os dois abriram um pequeno serviço de “dog care”, como é chamado o trabalho de passear com cachorros.

De tanto caminhar pela ilha, “cerca de 20 km por dia”, segundo Henry, e ainda com pouco dinheiro, foram acumulando uma lista de dicas para desfrutar da cidade com pouco dinheiro: de lojas onde era possível comprar bons produtos a US$ 1,99 a ingressos para cobiçados espetáculos na Broadway por US$ 15.

“Tínhamos uma meia dúzia de blogs que não faziam nenhum sucesso. Então, pensamos: por que não fazer algo com nossas experiências?”, recorda Henry. No ar desde então, o blog chegou a picos de 400 mil visitantes por ano. Foram eles que começaram a pedir e sugerir que publicassem as dicas. Sem editora, o casal resolveu pôr as “mãos-de-vaca” na massa: além de oferecer em formato PDF passaram eles mesmos a editar, imprimir e postar os exemplares nos correios.

De brasileiro para brasileiro
Impressos de forma independente por uma pequena editora ainda em Nova York, os volumes ocuparam diversas caixas que foram levadas para casa. Em sua segunda edição, o guia já contabiliza mais de 5 mil exemplares vendidos sem nunca ter passado por uma livraria. “Acho que o nosso é o único guia feito de brasileiros para brasileiros. Os outros são traduções. Essa proximidade faz as pessoas comprarem”, observa Denise.

Com menos exemplares em casa desde a mudança para Buenos Aires, o casal decidiu manter a venda da versão em PDF no blog  após a greve dos Correios, que atrasou pedidos, e depois de muitos leitores pedirem para ter a opção de levar também o guia em seus tablets eletrônicos. Vendidos atualmente por R$ 42,50 o pacote, o guia virou a fonte de renda dos dois.

10 mil seguidores
Além do blog, Henry e Denise tentam manter, na medida do possível, a informalidade e o contato com os leitores, por meio de e-mails e perfis em redes sociais, onde reúnem mais de 10 mil seguidores.

Engana-se quem pensa que só de “mãos-de-vaca” vive o guia. “No início, pensamos que íamos ajudar mochileiros, mas nosso público tem juiz, médico, engenheiro. Fizemos um encontro em São Paulo e foram umas 50 pessoas”, conta Denise, para quem o brasileiro ainda tem vergonha de pechinchar ou assumir que é mão-de-vaca.

De olho nesse público crescente, os dois já planejam guias em outros formatos, como um mapa de onde comer as melhores iguarias típicas de cada cidade. Sem gastar horrores para isso, claro.

Crédito: Portal G1

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Capital uruguaia mantém charme do passado

Folha Online/ Caderno Turismo

VANESSA CORRÊA DA SILVA
ENVIADA ESPECIAL AO URUGUAI

13/10/2011 – 07h50

Entre os pontos históricos de Montevidéu, um dos mais concorridos é o teatro Solís, que fica no centro da capital uruguaia. Inaugurado em 1856, o teatro oferece visitas guiadas em espanhol, português e inglês e é palco de inúmeros espetáculos.

Seus corredores também abrigam exposições de arte, e, no subsolo, há o restauranteRara Avis, considerado um dos melhores da cidade.

Conhecido como Ciudad Vieja, o centro pode ser percorrido a pé em uma tarde e concentra a maioria das atrações turísticas.

Ali fica o mercado del Puerto, onde um bom programa é saborear uma parrillada no balcão de um dos restaurantes, observando os cozinheiros grelhando cortes de carne, linguiças, abóboras e até porcos inteiros. Um dos mais tradicionais é o El Palenque, que tem filial em Punta del Este.

Vanessa Corrêa da Silva/Folhapress- Carnes expostas em balcão de restaurante no Mercado del Puerto, centro gastronômico de Montevidéu

Também no centro fica o Museu Histórico Nacional, conjunto de quatro casas do período colonial, todas localizadas no mesmo quarteirão, entre as calles 25 de Mayo, Zabala e Rincón. O mais interessante é o museu Romântico, que recria ambientes da época colonial, com móveis e objetos dos séculos 17 e 18.

Na praça Independência, a Casa del Gobierno conta a história política do Uruguai, desde a época em que o país foi colônia de Portugal e Espanha até os acontecimentos dos governos mais recentes.

Para quem gosta de futebol, o estádio Centenário, palco da primeira Copa do Mundo, é parada obrigatória. Ali fica o museu do Futebol, que conta a história da Celeste, a seleção uruguaia, com exposição permanente de fotos, camisas de futebol e troféus.

Em Pocitos, o visitante encontra boas opções de compras e gastronomia. A 15 minutos do centro, o bairro possui bons hotéis e uma grande variedade de lojas e restaurantes. Um bom programa é caminhar pelo calçadão da “rambla” Republica del Peru, que acompanha a orla.

Crédito: Vanessa Corrêa, Folha de São Paulo.

Montevidéu é refúgio na América do Sul

PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA

13/10/2011 – 07h52

Montevidéu é logo ali. Bastam duas horas e 20 minutos de voo (de Guarulhos) para chegar ao meu refúgio. Sim, Montevidéu é o meu refúgio na América do Sul. “Que tanto você faz lá?”, perguntam minha mãe e alguns amigos. “Já sei, você tem uma namorada lá.”

Sim, tenho uma namorada lá. Aliás, várias namoradas. Uma delas é a própria cidade -quieta, calma, educada, gentil, moderna e conservadora ao mesmo tempo, com um certo ar retrô, de coisa antiga, que não existe mais.

Atravesso as ruas calmamente, sem medo (bem, de vez em quando aparece um carro com placa do Brasil…). Ando de ônibus pela cidade, e nada de solavancos, aceleradas, freadas bruscas… Montevidéu, que tem 1,4 milhão de habitantes, parece uma pequena grande cidade do interior.

Outra de minhas namoradas é a “rambla” (avenida costeira) de Montevidéu. Com mais de 20 km de extensão, o belo e tranquilo calçadão é perfeito para caminhadas. As imponentes águas do rio da Prata estão ali, ao lado, para que a imaginação voe longe.

Quando passo pelo longo trecho que o calçadão percorre no elegante e silencioso bairro de Pocitos, onde morou Vinicius de Moraes quando serviu na embaixada brasileira em Montevidéu, olho para o mar de suntuosos prédios e fico pensando em qual deles o Poetinha morou e escreveu muitas das suas maravilhas (“…também eu deixava-me estar no terraço de meu apartamento, um dos mais altos de Pocitos”).

Outra das minhas namoradas uruguaias é a comida. Em Pocitos há ótimos restaurantes. Um deles, o Francis (Luís de la Torre, 502), oferece massas, peixes, carnes e vinhos de altíssimo nível, a preços muito mais honestos do que os cobrados em restaurantes paulistanos inferiores. Somada à qualidade da comida há a fina educação e o alto preparo dos garçons.

Outra boa opção em Pocitos é o Trouville (Chucarro, 1.031), do mesmo dono do ótimo El Tranvía, restaurante uruguaio de São Paulo. No centro (Bacacay, 1.339) e em Pocitos (26 de marzo, 3.586), há o também ótimo Panini’s, que prepara deliciosas massas, a preços compatíveis, e oferece vinhos excelentes, a preços estranhamente superiores aos da concorrência.

Vanessa Corrêa da Silva/Folhapress- Interior do teatro Solís, mais antiga casa de espetáculos de Montevidéu

No centro de Montevidéu, encontro outra namorada, a atividade cultural da cidade. Na avenida 18 de Julio, 1.012, está a sala Zitarrosa, onde sempre é possível assistir a bons espetáculos musicais, muitas vezes gratuitos.

Perto dali, está o imponente teatro Solís, inaugurado em 1856, que vale a pena visitar (há visitas guiadas). Eclética, a programação do teatro inclui música (popular e clássica), ópera, teatro, dança etc.

Outra das minhas namoradas uruguaias é a bebida de Baco, ou seja, o vinho. O melhor vinho uruguaio é o da uva tannat. Várias “bodegas” uruguaias já ganharam medalha de ouro com seus tannats. Uma delas, a H. Stagnari, produz, entre outros, o Tannat Viejo, o Daymán e o Dinastia, várias vezes premiados mundo afora.

Um belo programa é visitar as bodegas. A da Bouza (que fica na área rural de Montevidéu) é encantadora, a começar pela linda construção em que fica seu ótimo restaurante. Vale a pena chegar para o impecável almoço (é preciso reservar) e passar um bom pedaço da tarde por lá.

A uruguaia Pluna tem quatro voos diários de Guarulhos para Montevidéu, em seus jatos Bombardier CRJ-900. A TAM e a Gol têm dois voos diários de Guarulhos (a Gol faz escala em Porto Alegre).

Montevidéu é logo ali. Se você gosta de sossego, gente educada, silenciosa e discreta, belos passeios, boa comida y otras cositas, vá. Quem sabe você também se enrede definitivamente com todas essas minhas namoradas. É isso.

Crédito: Pasquale Cipro Neto, Folha de São Paulo.

Taxi-tango é a nova moda da capital portenha

 LUCILA RUNNACLES

Colaboração para o UOL Viagem, de Buenos Aires

Percorrer as ruas de Buenos Aires, visitar pontos turísticos e se esbaldar comendo boa carne não são as únicas experiencias que o viajante pode ter quando conhece a capital argentina. A cidade portenha também é sinônimo de tango e se engana quem pensa que somente exímios dançarinos têm lugar nos salões.

 A capital respira tango e os turistas que vão a Buenos Aires podem encontrar diversas opções. De segunda a domingo a variedade se estende desde lugares turísticos aos mais tradicionais, shows com orquestras ao vivo, milongas gays e até mesmo aulas na escuridão total. As milongas são eventos típicos feitos geralmente em pequenos clubes de bairro onde pessoas de todas as idades dançam tango.

E, para quem não quer fazer feio, uma boa dica é contratar o serviço de um taxi-dancer, também conhecido como taxi-tango. “Muitas vezes o turista não tem um companheiro de baile ou quer dançar com um autêntico tangueiro. Por isso, muitos procuram nossos serviços”, explica Nicolas Godoy, da empresa Tangueiros Bailarinos.

 O serviço de um taxi-dancer custa cerca de US$ 35/40 por hora, por um mínimo de duas horas. Além disso, o cliente também deve pagar a entrada e as bebidas que forem consumidas pelos dois. E para que o serviço não seja confundido com disque-sexo, pelo telefone já se faz uma pré-seleção. “Algumas pessoas perguntam se os bailarinos ou bailarinas são bonitas, loiras ou morenas. Nós explicamos como funciona o nosso serviço e perguntamos várias coisas; qual estilo de tango querem aprender, há quanto tempo dançam, etc. Tudo para ver se do outro lado a pessoa está realmente interessada em dançar tango”, conta Rachel Sloan,uma das sócias do Tango Taxi Dancers.

Nicolas Godoy, um dos pioneiros em oferecer o serviço em Buenos Aires, começou o projeto há 11 anos, quando aceitou um convite de uma estrangeira para acompanhá-la a uma milonga. Depois, ele abriu a sua empresa que hoje conta com cerca de 20 bailarinos. “Amo a minha profissão e tenho a sorte de que me pagam para dançar”, diz.

Saber a estatura do cliente é importante antes de enviar um bailarino. “Temos que perguntar para enviar um bailarino compatível. Para dançar bem o tango, é essencial que os dois tenham quase a mesma altura”, afirma Godoy.

 TANGO NO CINEMA

 “Adios Pampa Mia” Diretor: Manuel Romero Argentina, 1946 “La Historia Del Tango” Diretor: Manuel Romero Argentina, 1949 “O Último Tango Em Paris” Diretor: Bernardo Bertolucci França, Itália, 1972 “Tango” Diretor: Carlos Saura Argentina, 1998 “Assassination Tango” Diretor: Robert Duvall Argentina, EUA, 2002 “Je Ne Suis Pas Là Pour Être Aimé” Diretor: Stéphane Brizé França, 2004 “Manzi, una geografía” Diretor: Mario Bellocchio Argentina, 2007 “El último aplauso” Diretor: Germán Oral Argentina, Alemanha, Japão, 2009

Onde ir

 Entrar em uma sala completamente sem luz, sentir o corpo, aguçar os sentidos e ser guiado unicamente pela música é a experiência proporcionada em uma sessão de tango cego. As aulas são às quartas-feiras, no Centro Argentino de Teatro Cego (Rua Zelaya, 3006, bairro Abasto), às 19h30.

 Outra opção são as baladas de tango gay, bastante populares em Buenos Aires. Em um clima relaxado e descontraído, centenas de casais deslizam pelos salões portenhos em busca de diversão e novas técnicas para aprimorar seu baile. A festa gay já começa na segunda-feira, em Bayres Folk (Rua Cochabamba, 360, em San Telmo). Na terça, Tango Queer (Rua Perú, 571, em San Telmo), é outra alternativa. A festa vai das 22h a uma da manhã. Na quarta, La Marshall (Av. Independencia, 572), ferve a partir das 22h. E, para o fim de semana, na sexta, uma das mais famosas é a milonga gay El Beso, (Rua Riobamba, 416).

 Uma vez em Buenos Aires, não dá para perder a oportunidade de experimentar, pelo menos uma vez, uma milonga de bairro, dessas bem tradicionais. Por sorte, muitas ainda não foram invadidas pelo turismo massivo. Entre os destaques estão pequenos locais como o Centro Cultural Torcuato Tasso (Rua Defensa, 1575, em San Telmo), uma das lendas do tango portenho. O local funciona há mais de uma década e as noites de milonga com orquestras costumam ser muito atrativas.

O Club Villa Malcolm (Avenida Córdoba, 5064, em Palermo), é outra opção. O salão é decorado como uma antiga cantina; com abajures coloridos e bandeirinhas nas paredes. Com ambiente aconchegante, essa milonga é muito indicada pelos entendidos, assim como o Salón Canning (Rua Scalabrini Ortiz, 1331, em Palermo). Os tangueiros assíduos dizem que esse lugar tem uma das melhores pistas da cidade. O local também oferece aulas durante a semana, apresentações de bailarinos e, em algumas ocasiões, banda ao vivo.

 E como não poderia deixar de ser, Buenos Aires também conta com lugares mais turísticos como o La Viruta (Rua Armenia, 1366, em Palermo), um dos preferidos dos estrangeiros. Dançar tango ali é diversão é garantida, mas prepare-se para disputar espaço no meio de tanta gente. Outro local famoso é o Catedral (Rua Sarmiento, 4006, em Almagro). Ali o mau estado do chão é compensado pelo estilo boêmio e charmoso desse aconchegante lugar. E para quem prefere uma matinê, a Confeitaria Ideal (Rua Suipacha, 380) oferece várias alternativas; de segunda a domingo, o espaço abre para milongas a partir das 15h.

Códigos tangueiros

 Como quase todas as danças, o tango também é machista. E para não fazer feio na pista quando for a uma milonga, vale a pena seguir certos códigos.

 O dançarino Nicolas Godoy explica que muitos homens costumam convidar as mulheres para dançar somente com um olhar e um leve movimento da cabeça. “Por isso, é importante que as mulheres fiquem atentas aos gestos masculinos. Há mulheres que reclamam que ninguém as tira para dançar, mas algumas passam a noite conversando e não se dão conta de que lá do outro lado tem alguém que está convidando para um tango somente com um olhar”, explica o veterano dos salões portenhos.

Outro ponto importante é manter o silêncio durante o baile. Os entendidos dizem que o tango deve ser sentido completamente e que o homem, que é quem conduz a dança, deve estar concentrado na música. Por isso, nada de conversas na pista.

 Sapatos com sola de borracha não são uma boa ideia, pois dificultam os giros na pista. Para os homens, o mais recomendado são sapatos com solas de couro, e para as mulheres, um pouco de salto.

 Dicas

 O tango é algo tão valorizado, e não somente na Argentina, que foi declarado até mesmo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco. Durante todos os meses Buenos Aires respira tango, mas em agosto é a vez dos profissionais. Nesse mês, a cidade é sede do Mundial de Tango. Bailarinos do mundo todo participam do campeonato, inclusive casais do Brasil, Estados Unidos, França, África do Sul, Japão,entre outros. É uma boa oportunidade para ver exímios bailarinos em cena, participar de workshops e outras centenas de eventos. E para quem quiser aprender um pouco mais sobre essa paixão argentina, uma boa dica é participar dos tours guiados que a Secretaria de Turismo de Buenos Aires promove. A programação varia todos os meses e os grupos percorrem bairros, ruas, bares e casas ligadas ao tango.

 Confira a programação no site: www.bue.gob.ar/mo=portal&ac=componentes&ncMenu=45

Mais informações Serviço de taxi-dancers http://www.tanguerosbailarines.com.ar http://www.tangotaxidancers.com http://taxidancer.blogspot.com www.tangoweaccompany.blogspot.com

Centro Argentino de Teatro Cego (aulas de tango no escuro) www.teatrociego.org/en/courses/tango

Radio de tango

 www.radiodetangos.com

 Lista de milongas em Buenos Aires

 www.buenosairesmilongas.com http://www.welcomeargentina.com/tango/lugares.html

Buenos Aires sedia Campeonato Mundial de Tango

Foto: Arquivo Pessoal

BUENOS AIRES — O campeonato mundial de tango começou esta segunda-feira, enquanto centenas de pessoas enfrentaram o frio em um dia de inverno para conseguir ingressos gratuitos para assistir às semifinais e à final da disputa, transformada em um clássico de Buenos Aires.

Quatrocentos e noventa casais do mundo inteiro participam da edição deste ano da competição de dança que, como costuma acontecer, é dividida em duas categorias: Tango de Salão, o estilo tradicional dançado nas ‘milongas’ e o chamado Tango de Palco, mais acrobático.

A disputa começou às 14 horas (horário local e de Brasília), com as rodadas preliminares no Centro Municipal de Exposições, no bairro da Recoleta, na capital argentina.

As semifinais e finais das duas categorias do Campeonato Mundial serão disputadas no estádio Luna Park em 29 e 30 de agosto.

Centenas de pessoas suportaram o frio do inverno nesta segunda-feira, feriado na Argentina, e fizeram fila durante horas para conseguir os ingressos para as etapas classificatórias, celebradas na sede do governo da cidade de Buenos Aires, a alguns metros da Praça de Maio.

Para amenizar a espera, montou-se uma ‘milonga’ (baile), na qual bailarinos profissionais e amadores se misturavam em uma pista improvisada em plena avenida de Maio, fechada ao trânsito por algumas horas.

A Orquestra Típica do Rio da Prata, com o músico uruguaio Rubén Rada, o bailarino Juan Carlos Cope, o músico Jairo, o quarteto de Pablo Agri e a companhia de dança Tangokinesis, serão as atrações principais das rodadas finais.

Na edição de 2010, a competição atraiu 350.000 pessoas, segundo a organização, a cargo do governo da capital argentina.

No Rio…

Celebração Musical a Astor Piazzolla e Carlos Gardel

Crédito: Sérgio Bondioni

Considerado um dos melhores grupos de tango do Brasil, o LiberTango faz apresentação única no Teatro Carlos Gomes a R$ 1,00 na próxima terça-feira, 02/08, às 19h, dentro do Projeto Sete em Ponto. É uma oportunidade imperdível de conhecer de perto o talento do quarteto que há 15 anos divulgam o ritmo portenho em terras brasileiras, com destaque para a obra de Astor Piazzolla.

O show é inspirado no terceiro CD, “Porteño” (Delira, 2010), e apresenta clássicos inesquecíveis de Carlos Gardel como “El Día que me Quieras” (parceria com Alfredo Le Pera e Juan Carlos Calderon), “Por una Cabeza” (com Alfredo Le Pera) e “Mano a Mano” (com José Razzano e Celedonio Flores).

Já o repertório instrumental destaca as quatro estações de Piazzolla, “Primavera Porteña”, “Verano Porteño”, “Otoño Porteño” e “Invierno Porteño”. Outro sucesso revisitado do compositor argentino é “Adiós Nonino”. A qualidade e a criatividade dos arranjos – assinados pelos irmãos Marcelo Caldi (acordeão) e Alexandre Caldi (saxofone e flautas), integrantes do grupo – demostram a vitalidade do espírito tangueiro na cultura brasileira.

Os irmãos instrumentistas são filhos de uma outra integrante do LiberTango, a pianista argentina Estela Caldi, radicada no Brasil. Do quarteto faz parte ainda o cantor Marcelo Rodolfo. O show terá participação do contrabaixista Rodrigo Villa. Além de “Porteño”, foram lançados “Cierra tus Ojos y Escucha” (Delira, 2008) e “A Música de Astor Piazzolla” (Delira, 2005).

É a chance do público reviver um ritmo recheado de magia, paixão, nostalgia, força e exuberância. Dentre as principais apresentações do grupo, destacam-se: quatro temporadas na Sala Baden Powell (Copacabana), Festival do Vale do Café (Vassouras), Festival de Inverno de Petrópolis, Festival de Inverno do SESC (Itaipava), Goyaz Festival (Goiânia), Mistura Fina (Rio de Janeiro), SESCs de Copacabana (Rio Cello Encounter), do Flamengo e de Araraquara (SP), Festival de Música de Câmara de Curitiba, Ciclo Música de Câmara da Sociedade Musical Bachiana Brasileira (Cuiabá), Circuito SESI Rio de Janeiro e Lapinha (Rio de Janeiro).

Serviço:

Show do Grupo LiberTango

02/08, às 19h
Teatro Carlos Gomes
Praça Tiradentes, s/n, Centro
Rio de Janeiro – RJ
Ingressos a R$ 1,00
Informações: (21) 2232-8701

No Rio: diálogo musical entre Brasil e Argentina

Uma série de concertos mensais, que terá início nesta terça-feira (26), vai promover até novembro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro, o diálogo musical entre o Brasil e a Argentina. Reunindo em cada uma das apresentações instrumentistas e cantores dos dois países, a sérieMPAeB pretende mostrar que há similaridades nessas duas fortes linguagens musicais da América do Sul.

A iniciativa partiu do músico carioca Mário Sève e da cantora e letrista portenha Cecilia Stanzione. Conectados pela internet, os dois desenvolveram a partir de junho de 2008 uma fértil parceria, que resultou em 13 canções que formam o repertório do concerto de abertura da série. Em Cancion Necessaria – Brasil y Argentina, Cecilia (voz) e Mario (sax, flauta e arranjos) estarão acompanhados de uma banda formada por músicos dos dois países. O encontro também marca o lançamento do CD que registra 11 das canções produzidas pela dupla.

“O tango, o choro, a modinha e as valsas respiram de uma maneira muito parecida na música brasileira e na argentina”, diz Sève, também curador da série. “A partir do trabalho conjunto que iniciamos, comecei a conhecer um universo ligado à música folclórica argentina e Cecilia um pouco mais das raízes do samba brasileiro.”

Segundo Sève, os concertos não vão enfocar somente o tango, que é essencialmente a música de Buenos Aires. “Em outras partes do país, você tem uma variedade musical muito interessante, que mistura a influência europeia com uma cultura nativa e que resultou em gêneros como a chacarera, o zamba e o chamamé.”

O segundo concerto da série, Tango Y Tango Brasileiro, no dia 23 de agosto, vai reunir o tango e o choro, que no início do século 20 era chamado de “tango brasileiro”. “Era essa a denominação que traziam as partituras das músicas de Ernesto Nazareth, um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, mas o tango brasileiro nada mais é do que um choro”, diz Sève.

Nesse concerto, vão se apresentar duas lendas do tango argentino, o bandeonista Walter Ríos e o contrabaixista Oscar Giunta, juntamente com o pianista brasileiro Cristóvão Bastos, tocando um repertório que vai misturar Nazareth com Carlos Gardel.

Os concertos seguintes serão Folclore com K, no dia 27 de setembro, com o pianista argentino Carlos Aguirre e o brasileiro Benjamin Taubkin Trio, de São Paulo, e MPA y MPB, reunindo o grupo Aca Seca, do país vizinho e o cantor e violonista mineiro Sergio Santos, no dia 25 de outubro. Encerrando a série, La Zamba y o Samba, no dia 22 de novembro, terá o grupo carioca Nó em Pingo D’Água se apresentando com os argentinos Hernán Ríos e Norbi Córdoba.

Cada concerto terá duas apresentações, às 12h30 e às 19h, com ingressos a R$ 6 (inteira) e R$ 3 (para estudantes e maiores de 60 anos). Segundo Sève, a ideia é levar depois a série para outras cidades brasileiras e também para Buenos Aires.

Crédito: odiario.com