Sapatos: faça uma escolha consciente e garanta saúde aos seus pés.

Permita que dançar traga apenas prazeres, sem dores

Em algumas das poucas fotos que eu ainda tenho da minha infância, nelas,já se nota que o amor por sapatos é antigo. Eu literalmente roubava os sapatos da minha mãe e algumas vezes fui com eles escondidas para escola. Para sorte dela, o meu pé cresceu. Agora divido os meus lindinhos com a minha irmã, que por ser mais nova imita o meu exemplo.

Gosto tanto de sapatos que admito a fraqueza. Sou consumista. Troco a opção de ter um guarda roupa novo por um sapateiro enorme. Vou te dizer que tenho pelo menos três que nunca foram usados, por machucar demais ou não caber no pé por causa do formato, que definitivamente passa longe de ser o mesmo do meu pé.

Mas não falo isso com toda felicidade do mundo. No cotidiano da vida já usei sapatos que machucam só porque são realmente divinos. Não cometam o mesmo erro  nem no dia a dia. Se o fizer terá conseqüências futuras, como joanete e outras. Ir ao podólogo só não vai resolver.

Dançar

Para quem está começando a dar os primeiros passos na pista de dança aviso que usar qualquer sapato não vai ser uma escolha inteligente. O conforto é a primeira palavra de ordem. Isso vai garantir saúde e liberdade para os seus pés. Quando usamos sapatos inadequados corremos o risco de adquirir bolhas,  machucados e de quem sabe, no outro dia,  nem conseguir colocar os pés no chão.

A professora de tango de São Paulo Cleo Beolchi dá um recado especial para os leitores do blog Tango Candango. “Se você gosta dos seus pés, joelhos, pernas, coluna, e pretende conseguir continuar dançando -andando, sentando, levantando- por vários anos, dê mais atenção aos calçados que usa para dançar”. Cleo confessa já ter usado sapato com número menor que o dela  só pela beleza e que se arrepende amargamente.

Quem ainda ficou na dúvida de como escolher o felizardo para arrastar aí vai as dicas selecionadas por Cleo Beolchi para sua segurança e saúde na hora de dançar.

Cleo Beolchi dá dicas preciosas para escolha dos sapatos. Foto: Arquivo pessoal

– Para as mulheres: o sapato precisa ser preso ao tornozelo, isto é, NÃO pode ser chinelo, tamanco, etc.

– O sapato tem que permitir a articulação do metatarso e dedos do pé.  O metatarso, é aquela parte da sola do pé, na frente que parece uma almofadinha onde a gente pisa. A sola do calçado precisa ser maleável, NÃO pode ser salto plataforma, anabela ou de madeira porque prejudica o movimento e as articulações.

– O solado NÃO pode ser antiderrapante, de borracha, por exemplo, ele precisa permitir o movimento de deslizar, para não sobrecarregar os joelhos.

– Leve seus sapatos de dança em uma bolsinha e troque somente quando for dançar. Ao tomar essa iniciativa você foge do risco de escorregar na rua usando calçados de dança e claro, garantirá a durabilidade dos calçados por mais tempo.

– Um sapato apropriado pode até ser comprado em  feiras, lojas, shoppings, brechós. Mas ela alerta para que você fique  atento às dicas acima. As lojas especializadas em acessórios para dança já oferecem produtos com essas características e você não precisa se preocupar tanto. No blog Tango Candango, na barra de ferramentas a sua direita você encontra o site de grifes de sapatos de dança nacionais e portenhos. Acesse.

Beijos e boa dança.

Códigos: como funciona uma milonga

Foto: Julita Kissa

O tango é em primeiro lugar um gênero musical essencialmente dançante. Tem ritmo e estrutura que o distingue de outros. Nasceu no subúrbio em bairros mais distantes da capital e aos poucos foi aceito pela sociedade ganhando o centro de Buenos Aires. De lá invadiu a Europa, depois os Estados Unidos e hoje é dançado em toda parte do mundo.

A milonga, um estilo que preserva origem no tango tradicional também é usado para denominar os bailes de tango. Habitualmente o repertório consiste em tangos, tango vals e milongas. Os estilos são agrupados em tandas de três ou quatro músicas separadas por pequenas cortinas- um convite para se retirar da pista.

Para você que não conhece as regras de baile o Tangocandango disponibiliza aqui algumas delas que são usuais em Buenos Aires. As identificadas em vermelho são aquelas seguidas à risca no Brasil.

Tanda: Uma seqüência de músicas do mesmo estilo. Quando um cavalheiro tira uma dama para dançar ele fez o convite para dançar uma tanda inteira. Se você se retirar da pista antes do término pode ser identificado por outros do salão que houve desrespeito por parte do homem, ou ainda, que ele é um péssimo dançarino. Além de ser uma falta de educação. Priorize a harmonia e se não gostou, da próxima vez evite o convite.

Cabeceo: É um sinal feito com a cabeça indicando que você tem interesse. A mulher, por sua vez, pode aceitar fazendo gesto de afirmação ou simplesmente direcionar o olhar para outro lado caso não queira. Essa tradição evita que haja o constrangimento de levar um não como resposta e todos perceberem. A dama também tem o direito de escolher. Ao olhar fixo a um cavalheiro você emite o sinal de que deseja ir à pista. Nunca em Baires a mulher pode se levantar e chamar um homem pra dançar.

Enamorados: Não é permitido beijar durante a dança. Em algumas milongas tradicionais de Buenos Aires você pode receber uma “advertência” e se continuar o mau comportamento pode ser chamado a se retirar. Se em uma milonga tradicional a mulher sentar-se ao lado do seu parceiro de vida (namorado ou marido) não será convidada por outros cavalheiros. A menos que o ele se retire por um longo tempo da mesa.

Passos: Não são permitidos fazer passos que possam incomodar aos demais na pista. Como voleios e outras variações. Geralmente as milongas de Buenos Aires são lotadas de gente e eventualmente, você poderá machucar alguém. Ainda que o cavalheiro conduza para fazer um voleio faça um baixo, apenas riscando o chão. Assim evita olhares feios e recriminações. Se houver espaço aí sim você tem liberdade para sua dança. Mesmo assim, lembre-se: em comunidade o seu limite termina onde começa o do outro.