Investigação de uma década revela que Gardel era francês

Um grupo de investigadores encontrou a origem sobre o nascimento do cantor Carlos Gardel depois de quase dez anos buscando informações, documentos e entrevistas na Argentina, Uruguai e França.

Segundo a publicação de hoje (19) por La Nación, os investigadores e autores do livro Allí El padre de Gardel (Proa Amerian Ediciones) mostraram que Gardel, cuja voz foi declarada memória do mundo se chamava na verdade Romuald Gardes e foi registrado no dia 11 de dezembro de 1890, no registro civil da cidade de Toulouse, França.

Os autores do livro, o argentino Juan Carlos Esteban, e os franceses Georges Galopa e Monique Ruffié revelaram que Gardel chegou a Argentina aos dois anos e três meses de idade nos braços da mãe, Berthe Gardes.

Segundo relato dos investigadores a mãe de Gardel foi expulsa de expulsa de casa por ser mãe solteira, um pecado imperdoável naquela época. Dali a pátria adotiva de Gardel foi a Argentina, país que deu sua cidadania e residência até a sua morte, aos 45 anos, em um acidente aéreo com destino a Colombia.

Com informações do jornal El País

Espaço Chatô

O dia promete ser ideal para este evento. Clima ameno já remete a alguns uma boa taça de vinho ou chimarrão ao som de bons tangos. Hoje (16/05) você vai poder disfrutar de uma noite agradável, prestigiar dançarinos da cidade. É gratuito a partir das 19h no Espaço Chatô, próximo ao Correio Braziliense. A proposta do evento é mostrar que o Rio Grando do Sul e Argentina tem muito mais em comum do que a proximidade geográfica. Os dançarinos Oscar Ricarte e Victoria Echeverria e; Marcelo Amorim e Anna Elisa farão apresentações de tango. Não percam! Aproveitem! Até lá.

Espaço Chatô

RJ: LiberTango gratuito na Academia Brasileira de Letras

 

A Academia Brasileira de Letras (ABL) promove na próxima quinta-feira (24) às 17h30, um concerto gratuito do grupo LiberTango, considerado um dos melhores grupos de tango do Brasil. O repertório é baseado nas intepretações dos consagrados compositores Astor Piazzolla e Carlos Gardel. A apresentação será no auditório Rui Magalhães Júnior, na sede da ABL no Rio de Janeiro. A entrada será liberada por ordem de chegada, não haverá distribuição de senha. O auditório tem capacidade máxima para acolher 300 pessoas.

Depois de bater recorde de público no Teatro Carlos Gomes, dentro do Projeto 7 em Ponto, o LiberTango sobe ao palco novamente com músicas de seu terceiro e mais novo disco, “Porteño” (Delira, 2010), em que incorpora pela primeira na trajetória do grupo o tango tradicional, com peças inesquecíveis de Carlos Gardel como “El Día que me Quieras” (parceria com Alfredo Le Pera e Juan Carlos Calderon), “Por una Cabeza” (com Alfredo Le Pera) e “Mano a Mano” (com José Razzano e Celedonio Flores).

Já o repertório instrumental consagra as quatro estações de Piazzolla, “Primavera Porteña”, “Verano Porteño”, “Otoño Porteño” e “Invierno Porteño”. Outro sucesso revisitado do compositor argentino é “Adiós Nonino”. O concerto também relembra sucessos dos outros dois discos do grupo, “LiberTango – A Música de Astor Piazzola” (Delira, 2005), e “Cierra tus Ojos y Escucha” (Delira, 2008).

O LiberTango é formado pelo cantor Marcelo Rodolfo, pelos irmãos Alexandre Caldi (saxofones e flauta) e Marcelo Caldi (acordeon) e pela pianista Estela Caldi, mãe dos dois instrumentistas. Além do vínculo familiar e afetivo que reúne o quarteto, os músicos compartilham da mesma paixão pelos ritmos portenhos, os quais têm divulgado no Brasil há mais de 15 anos, fortalecendo o diálogo cultural entre os países da América do Sul. A qualidade e a criatividade dos arranjos, assinados pelos irmãos Caldi, por sua vez, demostram a vitalidade do espírito tangueiro na música brasileira.

A série Música de Câmara na ABL tem a coordenação geral do acadêmico e musicólogo Luiz Paulo Horta e a programação e produção artística de Nenem Krieger. A apresentação do LiberTango é a penúltima da série anual, que se encerra em 1º de dezembro. É a chance do público reviver um ritmo recheado de magia, paixão, nostalgia, força e exuberância. Participação do contrabaixista Rodrigo Villa.

Serviço:

Concerto do Grupo LiberTango

Homenagem a Piazzolla e a Gardel

dia 24/11, quinta-feira, às 17h30
Teatro R. Magalhães Jr.

Academia Brasileira de Letras – ABL

Avenida Presidente Wilson, 203
Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada Franca, por ordem de chegada

(não haverá distribuição de senhas)

Lotação: 300 lugares

Mais informações: Academia Brasileira de Letras

Site: www.grupolibertango.com

Astor Piazzolla

Jornal da Globo/ Coluna Nelson Motta

Edição do dia 17/06/2011

Astor Piazzolla revolucionou o tango argentino harmonizando ritmos

Piazzolla gravou 64 discos e maravilhou várias gerações de tangueiros e jazzistas com a dramaticidade e sofisticação de sua música.

 Assim como Tom Jobim modernizou e traduziu o samba brasileiro para o mundo, Astor Piazzolla revolucionou o tango argentino harmonizando a tradição portenha com o jazz e a música clássica. Como Pelé e Maradona, o piano de Jobim e o Bandoneon de Piazzolla reinventaram a música lationamericana e a levaram à consagração internacional.

Filho de italianos, Astor Pantaleon Piazzolla nasceu em Mar del Plata, em 1921, mas passou a infância em Nova York. Nostálgico da música portenha, seu pai lhe deu o seu primeiro bandoneon e Piazzolla conheceu o jazz e a música de Bach. Com 13 anos já tocava tão bem, que foi ouvido por Carlos Gardel e convidado para integrar o seu conjunto em uma turnê pela América do Sul.

O pai de Piazzolla não deixou e salvou-lhe a vida – porque foi nessa turnê que caiu o avião que matou Gardel e seu conjunto. Com 16 anos, Piazzolla voltou para Buenos Aires e logo estava integrando a orquestra de Anibal Troilo, o grande mestre do tango nascido em Santos e que foi a sua grande referência musical.

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Buenos Aires: Confitería Richmond

Revista Piauí/ Edição 61/ Versão online

Última lágrima

O triste fim de um café portenho tradicional, pero decadente

por Carol Pires

Na terceira segunda-feira de agosto, Luis Alberto Angel acordou cedo, arrumou-se com o aprumo de sempre e seguiu para o batente. Tomou o metrô, saltou na estação Florida e caminhou precisos 67 metros até chegar ao número 468 daquela rua, onde fica a Confitería Richmond. Essa era sua rotina desde a manhã de 3 de maio de 1971, uma segunda-feira. Aquele foi seu primeiro dia de trabalho. Tinha 17 anos.

Foi um tio por parte de pai quem lhe conseguiu o emprego de coqueteleiro naquele café histórico de Buenos Aires. Por dois anos trabalhou atrás do balcão fazendo drinques, até ganhar experiência para deslizar pelo salão de jogos do subsolo carregando bandeja e café quente, por entre as mesas de bilhar e xadrez nas quais intelectuais mediam suas forças. O expediente era de segunda a sexta, com plantão sábado sim, sábado não. Bem humorado, forte e tenaz, Angel nunca cabulou um dia de trabalho.

Em quatro décadas, Angel casou-se, teve quatro filhos, enviuvou, ganhou um par de óculos para corrigir seu astigmatismo, perdeu o cabelo, mudou-se de casa nove vezes, mas nunca de emprego. Naquela segunda-feira, contudo, ao chegar à Richmond quarenta anos, três meses e doze dias depois de seu primeiro dia de trabalho, pela primeira vez encontrou as portas do estabelecimento trancadas.

Do lado de fora do café, encontrou os colegas de braços cruzados e feições incrédulas. Os vidros haviam sido pintados de branco desde a noite de sábado, quando largara o serviço às 21 horas. Na porta, um ofício afixado informava que o salão estava fechado para reforma até novo aviso. “Hijos de puta! Fugiram com meu dinheiro, perdi 40 anos de trabalho, perdi tudo”, pensou o garçom, à beira de uma síncope.

Projetada pelo belga Julio Dormal, a Confitería Richmond foi inaugurada em 1917. O estilo inglês foi conservado nos últimos 94 anos: paredes revestidas em painéis de carvalho vermelho, poltronas Chesterfield de couro nos salões e lustres holandeses em bronze e opala. Em 1924, a Sociedade Rural Argentina montou uma sede ali do lado, e políticos e aristocratas passaram a frequentar a Richmond na hora do almoço. No fim dos anos 20, a revista literária Martín Fierro montou sua redação na esquina de Florida com Tucumán, levando o jovem Jorge Luís Borges e alguns comparsas a fazerem da Richmond a sede de saraus do Grupo Florida, regados a muito Fernet.

Até a Hollywood a confeitaria chegara, como cenário para o filme A História Oficial, de Luis Puenzo, Oscar de melhor filme estrangeiro em 1986. O reconhecimento internacional foi sacramentado em 1998, quando a Richmond ganhou espaço cativo nos guias turísticos de todas as confissões depois de ser considerada um ambiente “elegante, bem frequentado e cordial” numa resenha do New York Times.

Com a crise que abalou a Argentina na última década, a rua Florida deixou de ser um point da alta sociedade para abrigar uma fauna menos qualificada. O café manteve-se como pôde, sobrevivendo das glórias de antanho, mas os sinais do aperto saltavam aos olhos – dos empregados, ao menos. No início de 2011, o gerente confiou a Angel e outro garçom o atendimento do salão de jogos, com nada menos que 15 mesas de bilhar, quatro de sinuca e 30 tabuleiros de xadrez no salão de jogos. Em maio, o salão foi fechado para reformar as mesas e Angel foi deslocado para o térreo. Nos seis meses seguintes, o contingente foi reduzido ao mínimo operacional: dos 40 funcionários, quedaram-se apenas 14 para cobrir os 1.500 metros quadrados do café.

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Uruguai para os pães-duros

Visitar o país – a nova vedete do turismo na América do Sul – não exige muito dinheiro no bolso: só a vontade de rodar por aí e o coração aberto aos seus encantos

 Alfredo Durães /Correioweb

Publicação: 02/11/2011 02:00

A Casa Pueblo, espaço cultural diante do mar de Punta del Este

O velho vizinho do Sul é uma opção legal para quem quer novos horizontes sem necessariamente ter que enfiar a mão no fundo do bolso. Na mais pura concepção do jeito mochileiro de ser, o Turismo embarcou numa viagem de 10 dias que começa no voo direto para a capital uruguaia, com tarifa bem em conta. De resto, é seguir a cartilha dos sem muito dinheiro e curtir passeios a pé, de ônibus e, vá lá, um táxi de vez em quando, para conhecer os lugares — alguns bem inusitados, como o Palácio Salvo, construção em estilo eclético, edificado em Montevidéu na década de 1920. E, claro, se hospedar nos chamados hostels, os hotéis econômicos (mas com banheiro no quarto, o supremo luxo da categoria). Dá para gastar pouco, sem deixar de se divertir. Enfim, uma questão econômica.

Não vai doer no bolso

 Com tarifas econômicas, os voos diretos de Brasília a Montevidéu permitem ao turista chegar lá em duas horas e 30 minutos, e conhecer em seguida os atrativos do centro histórico da cidade. Entre eles, o Mercado do Porto

As parrillas estão em todos os cantos do Mercado do Porto: para acompanhar as deliciosas carnes uruguaias, vá de cerveja ou medio y medio

A grana pode estar curta, mas dá para, com alguma imaginação, inovar e tirar uns dias de férias no exterior. Já pensou no Uruguai, o mais recente campeão da Copa América de Futebol e quarto colocado na Copa de 2010? O país pode ser bem econômico, a começar pela passagem aérea, que tem preços a partir de R$ 491 (preço sujeito a alterações), ida e volta, em voo direto de Brasília para Montevidéu. Ele é diário, num percurso que dura duas horas e 30 minutos. Uma dica é procurar pelos voos da Pluna e comprar em sites de passagens, que dividem o valor em até 10 vezes sem aumento (na página da companhia, dá para fazer apenas três parcelas).

Ou seja, a questão do deslocamento fica resolvida por R$ 49 por mês. Os aviões são novos, e o serviço de bordo da empresa, espartano — mas, também, vai querer o quê com uma tarifa dessas? Outro detalhe: você não precisa gastar nada com passaporte, já que o documento exigido no serviço de imigração do Uruguai é somente a carteira de identidade, emitida há no máximo 10 anos.

Outra dica: não é necessário pegar os táxis oferecidos no excelente Aeroporto Internacional de Carrasco para chegar a Montevidéu, que fica às margens da Bacia do Prata. Um ônibus da empresa Cutcsa faz o trajeto até o Centro Histórico por 31 pesos, algo como R$ 3. Valor bem menor do que os US$ 45 cobrados pelos Mercedes-Benz que batem ponto no terminal de passageiros. Se não encontrar o ponto do ônibus, não se intimide. Pode perguntar ao uruguaio, que é muito solícito, ainda mais com brasileiros.

Hotel
Que tal um hotel pelo equivalente a R$ 70 (a diária) por pessoa, próximo do Centro Histórico da capital, perto de muitas atrações? Ou uma refeição caprichada por cerca de R$ 30 para duas pessoas? Uma cerveja por menos de R$ 5? Pois é, amigo, o Uruguai fica bem ali, logo depois do Rio Grande do Sul. E por falar em gaúchos, um dos maiores hábitos do cidadão uruguaio (mulher, criança, homens, todos) é tomar chimarrão, “sendo a cuia quase uma extensão dos braços da população”, conforme estava escrito num folheto turístico.

O hotel, anote aí, pode ser o Palacio (hotelpalacio.com.uy), a um quarteirão da Praça Independência, na Rua Bartolomé Mitre, 1364. É muito bem situado, próximo ao centro histórico (dá para ir a pé, coisa de oito quarteirões) e a poucos metros do Teatro Solís, uma das boas atrações da cidade. Este, construído na metade do século 19, em estilo eclético, é uma belíssima casa de espetáculos que também recebe visitantes em vários horários, inclusive nos fins de semana, para um tour guiado (em espanhol, português e inglês) com entrada a 40 pesos, pouco menos de R$ 4.

E voltando ao item onde ficar, o Hotel Palacio fica num prédio que deve logo comemorar seu centenário. Basta dizer que o elevador é daqueles com porta pantográfica, sempre reluzente, com detalhes em cor dourada. Um certo ar de antiguidade domina o lugar, mas os quartos são amplos, têm banheiros individuais e um bom serviço de camareira. O preço por pessoa é, claro, sem café da manhã. O Palacio não é o único na região com tarifas baixas. Basta entrar no site http://www.hostelbookers.com, que conta com hotéis de várias partes do mundo a preços módicos.

Morcilla
Há muitos outros pontos turísticos em Montevidéu, mas um deles é emblemático. Trata-se do Mercado do Porto, construído com estruturas metálicas entre 1865 e 1868, na Rambla 25 de Agosto. Ele é praticamente tomado por bares, botecos e restaurantes, tendo como carro-chefe a parrillada (carnes de vários tipos feitas em grandes churrasqueiras).

Com pouco menos de R$ 50, dá para duas pessoas comerem e beberem bem. Não podem faltar as cervejas Patricia ou Norteña, duas estrelas locais. Ou, ainda, o medio y medio (mistura de vinhos espumantes seco e doce), algo só encontrado no Uruguai. Finalmente, não deixe de provar a morcilla (chouriço), servida nas versões salgada e doce. Atenção: essa última não vem com açúcar, mas sim sem sal.

Na capital, domingo é dia de feira de antiguidades nos arredores da Rua Tristán Narvaja, próxima à grande Avenida 18 de Julho. E não deixe de ver, aos sábados à tarde, o encontro de pessoas que se reúnem para dançar tango nas praças Fabini e Cagancha. Aliás, como em outras cidades da América do Sul, praças grandes e bem cuidadas reinam em Montevidéu.

Punta del Este light

 Aproveite para conhecer a cidade e seus arredores antes do verão, sempre badalado e de altos preços. Visitas à Casa Pueblo e à fábrica de doces de leite Lapataia têm de estar na programação.

Enquanto no verão o bicho pega, com milhares de visitantes, no inverno e na primavera Punta del Este é totalmente diferente: os turistas são poucos e quase não interferem na paisagem da cidade balneário. E mesmo esse número reduzido vem muito mais pelo prazer de apostar em seus cassinos do que propriamente para curtir suas belezas. O friozinho passa longe dos ambientes aquecidos e cheios de roletas, cartas e máquinas caça-níqueis.

As praias em torno de Punta del Este, como José Ignacio, só ficam cheias na alta temporada

Melhor do que apostar, no entanto, é usar o pouco dinheiro para ganhar autonomia no balneário. A dica é alugar um carro em Montevidéu (os preços são baixos, se comparados aos do Brasil), seguir até Punta e, em quatro rodas, explorar todos os cantos, como a praia oceânica de El Grillo.

Na baixa temporada, a paisagem urbana é bem diferente em Punta del Este, que tem população fixa em torno dos 30 mil habitantes. Uma boa dica é desfrutar da paisagem da Tambo Lapataia, uma fazenda a 12 quilômetros da cidade, numa área rural repleta de boas paisagens. Tambo é o nome que se dá às propriedades produtoras de leite e seus derivados. Com o doce de leite como um de seus principais produtos, a Lapataia é aberta ao público e tem espaço para caminhadas, lago e restaurante típico, onde não falta a tradicional parrilla.

Não deixe de comprar o doce, autêntica iguaria, que custa cerca de R$ 10 para uma embalagem de 500 gramas. Mas nem tente trazer o produto para o Brasil: é grande a chance de ele ser apreendido nos aeroportos brasileiros, porque a fiscalização sanitária do Ministério da Agricultura proíbe a entrada. Perto, a pouco mais 15 minutos de carro, você chega ao grande Lago Sauce, com suas praias de água doce, muitas casas de veraneio e uma paisagem bem bonita.

As formas únicas da Casa Pueblo, construída pelo artista Carlos Paez Vilaró: local mistura museu e hotel, e tem a melhor vista do mar em Punta
As formas únicas da Casa Pueblo, construída pelo artista Carlos Paez Vilaró: local mistura museu e hotel, e tem a melhor vista do mar em Punta

Quem vai na cidade tem obrigação de, pelo menos um dia, ir à vizinha Punta Ballena, bem próxima, e conhecer a Casa Pueblo. No lugar, sempre às 18h em ponto, ouve-se a voz gravada do artista Carlos Paez Vilaró (leia o Para saber mais) recitar, por alto-falante, um de seus poemas. O ambiente é tomado por ares mágicos, impulsionados pela arquitetura singular da Casa Pueblo, construída pelo artista, num penhasco à beira do Atlântico. Nesse instante, da sacada da construção, o turista afortunado mira o mar e, viaja, viaja, viaja. (AD)

Crédito: Alfredo Durães, jornal Correio Braziliense.

Na Argentina, autores de ‘Guia para mãos-de-vaca’ dão dicas a brasileiros

Casal brasileiro vendeu 5 mil exemplares de guia turístico de NY pela web. Buenos Aires será tema do próximo, em que ensinam a fugir da inflação.

Amauri Arrais

Do G1, em Buenos Aires 

Henry e Elisa no centro da capital argentina, que será tema de novo guia. Foto: Amauri Arrais/G1

“Nunca coma em restaurantes de shoppings, são muito caros e a comida é péssima.” “Em alguns lugares não se cobra o cubierto (a entrada à refeição dos argentinos).” Passar algumas horas com o casal de brasileiros Henry Bugalho e Denise Nappi é como ler “Guia de Nova York para Mãos-de-Vaca”, um compêndio de barbadas de todos os tipos que vendeu mais de 5 mil exemplares só pela internet.

Buenos Aires, onde estão vivendo desde o final do ano passado, é o cenário do próximo guia para os turistas que não gostam de desembolsar muito dinheiro. Com o livro ainda em fase de produção, os autores dividiram com o G1 algumas das recomendações para quem quer desbravar a capital portenha, que recebe 1,5 milhão de brasileiros ao ano.

“Diferentemente de Nova York, o turista brasileiro que vem a Buenos Aires é mais simples, muitas vezes é sua primeira viagem para fora. Então vamos dar dicas desde a compra da passagem aérea”, adianta Denise.

Desde que se mudou para a Argentina, o casal já viajou para Brasil, Chile, Peru e parte da Europa aproveitando promoções de companhias aéreas. A Itália, onde passaram mais tempo, talvez seja o próximo país a ser explorado num guia.

No país de Maradona, embora os índices de inflação divulgados pelo Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, controlado pelo governo) sejam questionáveis, eles dizem já ser possível sentir o aumento dos preços no dia a dia. “Os argentinos sentem muito mais do que nós, pela desvalorização da moeda. Mas às vezes até as taxas cobradas em bancos aumentam de um dia para o outro”, conta Henry.

Vendendo água na rua
A história do casal –ele curitibano formado em filosofia e autor de vários livros de ficção não publicados, ela santista e ex-comissária de bordo- começou em 2006, com a quebra da Varig, onde Denise trabalhava. Meses depois, os dois desembarcavam em Nova York com “um mínimo” de dinheiro no bolso.

“Pagamos o primeiro aluguel de US$ 1 mil e sobrou menos ainda”, lembra Denise. Às vésperas daquele que seria o “dia mais quente do ano”, com alertas por rádio e TV para que os novaiorquinos ficassem em casa, o casal então teve a idéia que duplicaria a parca renda: investiram tudo em água mineral e um cooler e foram para uma das movimentadas esquinas de Manhattan vender.

“Depois de vender duas garrafas, veio um guarda e mandou que a gente recolhesse tudo porque não tínhamos licença para vender na rua. Ficamos com US$ 7”, conta a ex-comissária, rindo. Depois de encararem bicos em baladas e bares para brasileiros, os dois abriram um pequeno serviço de “dog care”, como é chamado o trabalho de passear com cachorros.

De tanto caminhar pela ilha, “cerca de 20 km por dia”, segundo Henry, e ainda com pouco dinheiro, foram acumulando uma lista de dicas para desfrutar da cidade com pouco dinheiro: de lojas onde era possível comprar bons produtos a US$ 1,99 a ingressos para cobiçados espetáculos na Broadway por US$ 15.

“Tínhamos uma meia dúzia de blogs que não faziam nenhum sucesso. Então, pensamos: por que não fazer algo com nossas experiências?”, recorda Henry. No ar desde então, o blog chegou a picos de 400 mil visitantes por ano. Foram eles que começaram a pedir e sugerir que publicassem as dicas. Sem editora, o casal resolveu pôr as “mãos-de-vaca” na massa: além de oferecer em formato PDF passaram eles mesmos a editar, imprimir e postar os exemplares nos correios.

De brasileiro para brasileiro
Impressos de forma independente por uma pequena editora ainda em Nova York, os volumes ocuparam diversas caixas que foram levadas para casa. Em sua segunda edição, o guia já contabiliza mais de 5 mil exemplares vendidos sem nunca ter passado por uma livraria. “Acho que o nosso é o único guia feito de brasileiros para brasileiros. Os outros são traduções. Essa proximidade faz as pessoas comprarem”, observa Denise.

Com menos exemplares em casa desde a mudança para Buenos Aires, o casal decidiu manter a venda da versão em PDF no blog  após a greve dos Correios, que atrasou pedidos, e depois de muitos leitores pedirem para ter a opção de levar também o guia em seus tablets eletrônicos. Vendidos atualmente por R$ 42,50 o pacote, o guia virou a fonte de renda dos dois.

10 mil seguidores
Além do blog, Henry e Denise tentam manter, na medida do possível, a informalidade e o contato com os leitores, por meio de e-mails e perfis em redes sociais, onde reúnem mais de 10 mil seguidores.

Engana-se quem pensa que só de “mãos-de-vaca” vive o guia. “No início, pensamos que íamos ajudar mochileiros, mas nosso público tem juiz, médico, engenheiro. Fizemos um encontro em São Paulo e foram umas 50 pessoas”, conta Denise, para quem o brasileiro ainda tem vergonha de pechinchar ou assumir que é mão-de-vaca.

De olho nesse público crescente, os dois já planejam guias em outros formatos, como um mapa de onde comer as melhores iguarias típicas de cada cidade. Sem gastar horrores para isso, claro.

Crédito: Portal G1