Férias

Olá, não apareço aqui no blog há alguns dias. O motivo alguns de vocês já sabem. Tirei duas semanas de recesso do trabalho para descansar. A viagem começou no dia 22 de dezembro. O primeiro destino foi Santiago do Chile. Só hoje cheguei a Buenos Aires, depois de 19 horas de viagem em um ônibus. Descobrimos que não é hábito por essas regiões fazer paradas para ir à lanchonete de um posto ou esticar as pernas – o que normalmente acontece em viagens pelo Brasil. Chegamos às 5 horas da madrugada ao Terminal Rodoviário de Buenos Aires em Retiro. Fica a menos de 10 minutos do centro da cidade. Onde estaremos hospedados pelos próximos 14 dias. Para usar a internet viemos a um café chamado Cafecito, na calle Carabelas. Sempre que possível vou atualizar as novidades para vocês. Espero que tenham passado um lindo Natal. Compartilho foto da tradicional media luna.

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Taxi-tango é a nova moda da capital portenha

 LUCILA RUNNACLES

Colaboração para o UOL Viagem, de Buenos Aires

Percorrer as ruas de Buenos Aires, visitar pontos turísticos e se esbaldar comendo boa carne não são as únicas experiencias que o viajante pode ter quando conhece a capital argentina. A cidade portenha também é sinônimo de tango e se engana quem pensa que somente exímios dançarinos têm lugar nos salões.

 A capital respira tango e os turistas que vão a Buenos Aires podem encontrar diversas opções. De segunda a domingo a variedade se estende desde lugares turísticos aos mais tradicionais, shows com orquestras ao vivo, milongas gays e até mesmo aulas na escuridão total. As milongas são eventos típicos feitos geralmente em pequenos clubes de bairro onde pessoas de todas as idades dançam tango.

E, para quem não quer fazer feio, uma boa dica é contratar o serviço de um taxi-dancer, também conhecido como taxi-tango. “Muitas vezes o turista não tem um companheiro de baile ou quer dançar com um autêntico tangueiro. Por isso, muitos procuram nossos serviços”, explica Nicolas Godoy, da empresa Tangueiros Bailarinos.

 O serviço de um taxi-dancer custa cerca de US$ 35/40 por hora, por um mínimo de duas horas. Além disso, o cliente também deve pagar a entrada e as bebidas que forem consumidas pelos dois. E para que o serviço não seja confundido com disque-sexo, pelo telefone já se faz uma pré-seleção. “Algumas pessoas perguntam se os bailarinos ou bailarinas são bonitas, loiras ou morenas. Nós explicamos como funciona o nosso serviço e perguntamos várias coisas; qual estilo de tango querem aprender, há quanto tempo dançam, etc. Tudo para ver se do outro lado a pessoa está realmente interessada em dançar tango”, conta Rachel Sloan,uma das sócias do Tango Taxi Dancers.

Nicolas Godoy, um dos pioneiros em oferecer o serviço em Buenos Aires, começou o projeto há 11 anos, quando aceitou um convite de uma estrangeira para acompanhá-la a uma milonga. Depois, ele abriu a sua empresa que hoje conta com cerca de 20 bailarinos. “Amo a minha profissão e tenho a sorte de que me pagam para dançar”, diz.

Saber a estatura do cliente é importante antes de enviar um bailarino. “Temos que perguntar para enviar um bailarino compatível. Para dançar bem o tango, é essencial que os dois tenham quase a mesma altura”, afirma Godoy.

 TANGO NO CINEMA

 “Adios Pampa Mia” Diretor: Manuel Romero Argentina, 1946 “La Historia Del Tango” Diretor: Manuel Romero Argentina, 1949 “O Último Tango Em Paris” Diretor: Bernardo Bertolucci França, Itália, 1972 “Tango” Diretor: Carlos Saura Argentina, 1998 “Assassination Tango” Diretor: Robert Duvall Argentina, EUA, 2002 “Je Ne Suis Pas Là Pour Être Aimé” Diretor: Stéphane Brizé França, 2004 “Manzi, una geografía” Diretor: Mario Bellocchio Argentina, 2007 “El último aplauso” Diretor: Germán Oral Argentina, Alemanha, Japão, 2009

Onde ir

 Entrar em uma sala completamente sem luz, sentir o corpo, aguçar os sentidos e ser guiado unicamente pela música é a experiência proporcionada em uma sessão de tango cego. As aulas são às quartas-feiras, no Centro Argentino de Teatro Cego (Rua Zelaya, 3006, bairro Abasto), às 19h30.

 Outra opção são as baladas de tango gay, bastante populares em Buenos Aires. Em um clima relaxado e descontraído, centenas de casais deslizam pelos salões portenhos em busca de diversão e novas técnicas para aprimorar seu baile. A festa gay já começa na segunda-feira, em Bayres Folk (Rua Cochabamba, 360, em San Telmo). Na terça, Tango Queer (Rua Perú, 571, em San Telmo), é outra alternativa. A festa vai das 22h a uma da manhã. Na quarta, La Marshall (Av. Independencia, 572), ferve a partir das 22h. E, para o fim de semana, na sexta, uma das mais famosas é a milonga gay El Beso, (Rua Riobamba, 416).

 Uma vez em Buenos Aires, não dá para perder a oportunidade de experimentar, pelo menos uma vez, uma milonga de bairro, dessas bem tradicionais. Por sorte, muitas ainda não foram invadidas pelo turismo massivo. Entre os destaques estão pequenos locais como o Centro Cultural Torcuato Tasso (Rua Defensa, 1575, em San Telmo), uma das lendas do tango portenho. O local funciona há mais de uma década e as noites de milonga com orquestras costumam ser muito atrativas.

O Club Villa Malcolm (Avenida Córdoba, 5064, em Palermo), é outra opção. O salão é decorado como uma antiga cantina; com abajures coloridos e bandeirinhas nas paredes. Com ambiente aconchegante, essa milonga é muito indicada pelos entendidos, assim como o Salón Canning (Rua Scalabrini Ortiz, 1331, em Palermo). Os tangueiros assíduos dizem que esse lugar tem uma das melhores pistas da cidade. O local também oferece aulas durante a semana, apresentações de bailarinos e, em algumas ocasiões, banda ao vivo.

 E como não poderia deixar de ser, Buenos Aires também conta com lugares mais turísticos como o La Viruta (Rua Armenia, 1366, em Palermo), um dos preferidos dos estrangeiros. Dançar tango ali é diversão é garantida, mas prepare-se para disputar espaço no meio de tanta gente. Outro local famoso é o Catedral (Rua Sarmiento, 4006, em Almagro). Ali o mau estado do chão é compensado pelo estilo boêmio e charmoso desse aconchegante lugar. E para quem prefere uma matinê, a Confeitaria Ideal (Rua Suipacha, 380) oferece várias alternativas; de segunda a domingo, o espaço abre para milongas a partir das 15h.

Códigos tangueiros

 Como quase todas as danças, o tango também é machista. E para não fazer feio na pista quando for a uma milonga, vale a pena seguir certos códigos.

 O dançarino Nicolas Godoy explica que muitos homens costumam convidar as mulheres para dançar somente com um olhar e um leve movimento da cabeça. “Por isso, é importante que as mulheres fiquem atentas aos gestos masculinos. Há mulheres que reclamam que ninguém as tira para dançar, mas algumas passam a noite conversando e não se dão conta de que lá do outro lado tem alguém que está convidando para um tango somente com um olhar”, explica o veterano dos salões portenhos.

Outro ponto importante é manter o silêncio durante o baile. Os entendidos dizem que o tango deve ser sentido completamente e que o homem, que é quem conduz a dança, deve estar concentrado na música. Por isso, nada de conversas na pista.

 Sapatos com sola de borracha não são uma boa ideia, pois dificultam os giros na pista. Para os homens, o mais recomendado são sapatos com solas de couro, e para as mulheres, um pouco de salto.

 Dicas

 O tango é algo tão valorizado, e não somente na Argentina, que foi declarado até mesmo Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, pela Unesco. Durante todos os meses Buenos Aires respira tango, mas em agosto é a vez dos profissionais. Nesse mês, a cidade é sede do Mundial de Tango. Bailarinos do mundo todo participam do campeonato, inclusive casais do Brasil, Estados Unidos, França, África do Sul, Japão,entre outros. É uma boa oportunidade para ver exímios bailarinos em cena, participar de workshops e outras centenas de eventos. E para quem quiser aprender um pouco mais sobre essa paixão argentina, uma boa dica é participar dos tours guiados que a Secretaria de Turismo de Buenos Aires promove. A programação varia todos os meses e os grupos percorrem bairros, ruas, bares e casas ligadas ao tango.

 Confira a programação no site: www.bue.gob.ar/mo=portal&ac=componentes&ncMenu=45

Mais informações Serviço de taxi-dancers http://www.tanguerosbailarines.com.ar http://www.tangotaxidancers.com http://taxidancer.blogspot.com www.tangoweaccompany.blogspot.com

Centro Argentino de Teatro Cego (aulas de tango no escuro) www.teatrociego.org/en/courses/tango

Radio de tango

 www.radiodetangos.com

 Lista de milongas em Buenos Aires

 www.buenosairesmilongas.com http://www.welcomeargentina.com/tango/lugares.html

O tango livre da fumaça..

Blog Ariel Palacios/ Os Hermanos
Estadao.com.br
“Fumando espero”: um tango cada vez mais difícil aplicação

Carlos Gardel, ícone do tango no Rio da Prata, fuma em um filme da Paramount nos anos 30.""


Publicação: 03.junho.2011 08:18:25

O tango “Fumando espero”, cuja letra dizia “Fumar é um prazer genial, sensual…Fumando espero a mulher que eu quero”, não poderá mais ser colocado na prática de forma 100% pelos argentinos e qualquer estrangeiro que esteja dentro do território nacional. O ato de fumar, sentado em um café – enquanto olha pela janela – acabou. As únicas alternativas serão a de esperar na rua – sob a chuva, sol ou vento, dependendo do enlouquecido clima portenho – ou trancado dentro de casa, já que a atividade de fumar estará categoricamente limitada às residências, ruas e praças. Nunca mais uma pessoa poderá esperar fumando em um restaurante, bar, cinema, teatro, cemitério, hall de um prédio, discoteca, entre outros lugares.

Quem quiser colocar na prática a espera nicotínica imortalizada por Carlos Gardel (e na versão feminina, pela espanhola Sarita Montiel), também terá a oportunidade – pouco romântica – de esperar fumando nos estádios. Mas somente os estádios não cobertos.

Isso é o que determina a lei aprovada pelo Senado em dezembro passado.

“É um dia histórico” exclamou Verônica Schoj, coordenadora da ONG Aliança Livre de Fumaça Argentina. Segundo ela, a nova lei “não estigmatizará os fumantes, pois vai ajuda-los a deixar os cigarros”. O ministro da Saúde, Juan Manzur, declarou que a lei será “crucial” para reduzir o número de 40 mil mortes anuais provocadas pelo cigarro na Argentina.

A norma, que transformou a Argentina nesta semana no oitavo país 100% livre de fumaça de cigarros na América Latina (depois do Uruguai, Peru, Venezuela, Colômbia, Panamá, Guatemala e Honduras), também estipula restrições à publicidade de cigarros e demais estímulos para o consumo de produtos elaborados com fumo.

A partir de sua promulgação será proibida a colocação de publicidade em meios de comunicação e na via pública. Além disso, as empresas de cigarros não poderão patrocinar eventos ou atividades públicas.

Os maços – que deverão ostentar advertências sanitárias sobre os riscos de fumar – não poderão mais utilizar as denominações “light”, “suave” ou “baixo conteúdo de nicotina”.

A lei estipula que fica expressamente proibida a atividade de fumar em escritórios públicos ou privados. A única possibilidade que fica aberta é a dos escritórios de apenas uma pessoa, sem atendimento ao público e sem empregados.

A lei foi aprovada na Câmara por 182 votos a favor. Um deputado absteve-se, enquanto outro votou contra a lei. Após a votação, o deputado Jorge Obeid destacou que os próprios parlamentares deveriam dar o exemplo do cumprimento das restrições ao fumo e remover os cinzeiros espalhados no plenário dos deputados.

As multas para os infratores da nova norma oscilarão entre os valores equivalentes de 250 e um milhão dos maços mais caros de cigarros (entre US$ 437 e US$ 1,5 milhão).

Crédito: Blog do Ariel Palacios/ Os hermanos, clique aqui

**PERFIL: Ariel Palacios fez o Master de Jornalismo do jornal El País (Madri) em 1993. Desde 1995 é o correspondente de O Estado de S.Paulo em Buenos Aires. Além da Argentina, também cobre o Uruguai, Paraguai e Chile. Ele foi correspondente da rádio CBN (1996-1997) e da rádio Eldorado (1997-2005). Ariel também é correspondente do canal de notícias Globo News desde 1996.Em 2009 “Os Hermanos“ recebeu o prêmio de melhor blog do Estadão (prêmio compartilhado com o blogueiro Gustavo Chacra).

Memória Villa Urquiza

Villa Urquiza é um bairro de Buenos Aires, Argentina. Também se denomina Villa Urquiza um estilo de tango bem representado por Javier Rodrigues. É neste bairro que fica uma das milongas mais famosos e antigas, a Sunderland.

Venha um pouco da memória do tango de Buenos Aires.

Agradecimentos: Tango Television

O segredo do tango é se divertir

Giulianna Davoli e Rafael Martins. Foto: Divulgação.

Tudo começou em bate-papo no Facebook. Conversando sobre o tango pedi a Giulianna que respondesse algumas perguntas . Sempre muito atenciosa e gentil acatou de pronto a ideia para compartilhar com vocês. Conheça um pouco do trabalho do casal Giuliana Davoli, 20 anos, e Rafael Martins, 24 anos. O resultado dessa conversa você confere agora.

PERFIL

Com mais de 3 anos de parceria, Rafael Martins e Giulianna Davoli já participaram de companhias de alto nível e fizeram shows no Brasil e Argentina. Iniciaram seus estudos no Brasil e somente um ano mais tarde vieram os primeiros shows e convites para fazer parte de companhias e espetáculos, não somente como bailarinos, mas também como coreógrafos.

Dirigiram seu próprio espetáculo apresentado em eventos de diversas empresas e Universidades (para mais de 2000 espectadores).Em 2007 iniciaram uma etapa nova: a descoberta e experimentação do Tango Novo. A partir de então vem aperfeiçoando sua técnica e desenvolvendo um estilo próprio. Em 2009 receberam o convite de Pablo Villarraza e Dana Frígoli para trabalhar como bailarinos e professores na companhia DNI Tango em Buenos Aires, Argentina. Desde então integram seu staff sendo o primeiro casal brasileiro a ser contratado por uma companhia estrangeira de tango.

Tango Candango – Vocês já foram inclusive professores em Buenos Aires e são reconhecidos pelo trabalho de qualidade que desempenham juntos. O que diferencia os profissionais do tango do Brasil e de Buenos Aires?

Giulianna Davoli – No Brasil ainda existe uma limitação em relação ao tango, essa coisa de cada um dizer o que é e o que não é. Não existe respeito pelo que é novo. Em Buenos Aires, apesar de existir uma resistência ao novo, existe respeito pelo que é novo, e os profissionais estão sempre desenvolvendo um trabalho, não param no tempo. O aluno de Buenos Aires (pelo menos que eu tive contato), vai para uma escola de tango para aprender, e muitas vezes, passa uma temporada apenas fazendo aula. É um interesse específico. No Brasil, não existe turista vindo buscar o tango. Os alunos são pessoas que tem um dia-a-dia normal, que trabalham e fazem a dança como um hobby. Os profissionais buscam aperfeiçoamento em Buenos Aires. Isso generalizando, claro que aqui também existem alunos que estudam para adquirir conhecimento técnico.

Tango Candango – Como surgiu a oportunidade de apresentar no Festival Tango Gaúcho? O evento acontece nos dias 25,26 e 27 de março em Caxias do Sul. Entre os professores Mariana Montes e Sebastian Arce.

Giulianna Davoli – A gente comentou com o Giovani, idealizador do evento sobre o trabalho que estávamos fazendo e manifestamos interesse de apresentar em um festival como o dele, e ele disse que seria um prazer e foi assim. Quanto aos ensaios a gente foi alguma vezes para Floripa e eles vieram alguma vezes pra São Paulo. Tentamos fazer justo para os dois lados.

Tango Candango – Como surgiu a ideia de fazer um trabalho em parceria com o casal ganhador do campeonato de VI Congresso Internacional de Tango de Floripa?

Giulianna Davoli – A gente tinha vontade de fazer desde o ano passado, quando nos encontramos no Campeonato de Tango em Curitiba. A gente gosta muito do trabalho do Gabi e  da Lidi e eles também do nosso.

” Quando danço em um baile, gosto de me divertir, não fico pensando isso é certo e isso não, como faço em um ensaio, por exemplo”.

Tango Candango – Vocês são conhecidos no Brasil pela excelência de trabalho e diversificam o tango mesclando elementos tradicionais e outros completamente contemporâneos. O que define o tango alternativo?

Giulianna Davoli -O tango alternativo é uma maneira alternativa de dançar o tango, refere-se à técnica aplicada aos movimentos da dança. Utiliza elementos alternativos, tanto fazendo referência à musica -rock, pop, alternativo, tango eletrônico, tango- ou aos movimentos. Colocamos os movimentos (do tango) na música escolhida. Não definir isso é tango, ou não é tango.

Tango Candango– Além do estudo do tango o que pode ajudar e melhorar o equilíbrio e a consciência corporal?

Giulianna Davoli– Praticar pilates, yoga e aula de ballet ou contemporâneo ajuda muito a ter uma consciência corporal.a desenvolver uma consciência corporal. Mas um trabalho com o tango, estudando seus movimento e o que eles provocam no corpo é um estudo bastante importante.

Tango Candango – E você, o que faz?

Giulianna Davoli Olha, eu não faço muita coisa. Faço aula de ballet, faço academia e tento comer pouco. Sempre que posso faço aulas de yoga e pilates. Tento dançar bastante sempre. Eu gosto de me cuidar muito independente da dança, mas com certeza qualquer dançarino tem que se cuidar. Quanto ao tango, eu pratico só com o Rafael – seu parceiro de dança e de vida- tenho muita pretensão de ir sempre a Buenos Aires, mas não tenho tempo, porque além das aulas de dança faço faculdade. Vou sim a bailes aqui no Brasil, só que quando danço em um baile, gosto de me divertir, não fico pensando isso é certo e isso não, como faço em um ensaio, por exemplo.

**A revista Dança em Pauta traz uma entrevista exclusiva com o casal sobre a trajetória no tango. Acesse site aqui e saiba mais.

Gostaram?

Calle Florida é o paraíso de batedores de carteira

São pelo menos 20 roubos por dia na mais famosa rua comercial de Buenos Aires

20 de março de 2011 | 0h 00
Ariel Palacios – O Estado de S.Paulo

Antes um elegante calçadão no centro de Buenos Aires, a famosa Calle Florida transformou-se nos últimos tempos em um inferno para turistas distraídos. Em média, de 20 a 30 pessoas são roubadas diariamente na rua, segundo denúncias feitas à polícia, mas estima-se que sejam apenas uma pequena parte das vítimas.

Além de turistas e trabalhadores dos escritórios do centro portenho, acotovelam-se na rua camelôs, dançarinos de tango, estátuas vivas, mendigos e músicos. Este cenário de aglomeração de pedestres, somado ao aumento da criminalidade no país e à crise das forças de segurança, tornou a Calle Florida o paraíso dos batedores de carteiras, cujas principais vítimas são justamente os turistas distraídos.

“É uma pena, pois uma pessoa que visita a Argentina, quando volta a seu país, terá como uma de suas principais lembranças o roubo que sofreu”, lamenta Héctor López Moreno, presidente da Associação de Amigos da Calle Florida.

Comerciantes da rua calculam que os batedores se concentram em 15 grupos, compostos por dois a cinco ladrões cada, que agem ao longo dos 13 quarteirões entre as Avenidas de Mayo e Santa Fé. O trecho mais visado são os cinco quarteirões entre a Calle Sarmiento e a Avenida Córdoba. Além da rua, os batedores de carteira também agem dentro de lojas cheias de clientes.

Vítimas. Parte dos turistas brasileiros que são furtados em Buenos Aires foi vítima dos bandidos na Calle Florida. O Consulado do Brasil não recebe denúncias de roubos, mas realiza os trâmites da chamada “autorização de retorno ao Brasil” (o ARB, de emissão gratuita) para os casos de roubo ou perda de documentos durante a estada no país.

Não existem estatísticas separadas por passaportes roubados e perdidos, mas os números do consulado mostram um aumento nas solicitações do ARB. Em 2009, foram registrados 1.385 pedidos. No ano passado, 2,8 mil. Só em janeiro deste ano, foram 394 solicitações e, em fevereiro, 173. Mesmo assim, o volume de pessoas que perdeu documentos – muitos dos quais roubados – é pequeno se comparado ao fluxo estimado de 1 milhão de turistas brasileiros na Argentina para 2011.

A mato-grossense Susana Neves, que passeava na quinta-feira pelo bairro da Recoleta, disse ao Estado que esta é sua segunda visita à capital argentina. “Desta vez tomei as devidas precauções. Mas, na primeira, no ano passado, furtaram minha câmera de fotos, que estava dentro da minha bolsa. Foi na Florida, quando estava olhando uma vitrine. Fiquei com muita raiva e xinguei os argentinos. Mas depois pensei nas vezes em que fui roubada no Brasil e aí passou. Nesta segunda viagem, estou alerta para aproveitar essa cidade deliciosa”, afirmou.

Carlos Fontana, um curitibano que visita Buenos Aires com frequência, também foi vítima de batedores de carteira. “Esbarraram em mim no Caminito (ponto turístico da cidade). Mas pediram desculpas com tanta educação que nem desconfiei. Ao sentar em um bar, notei que haviam surrupiado o passaporte e o dinheiro que tinha no bolso da camisa. Ir à polícia foi perda de tempo. Polícia no Brasil pode ser ruim, mas na Argentina é muito mais. Foi besteira minha sair com o passaporte na rua. Por sorte, tinha o RG no hotel”, disse.

Outra modalidade de roubo é o “truque da mostarda”, no qual um golpista usa uma bisnaga para jogar um pouco de mostarda nas costas ou no braço da vítima, sem que ela perceba. Um segundo criminoso, seu comparsa, passa ao lado da pessoa e a adverte: “Ei, a senhora está com uma mancha de mostarda nas costas.” O ladrão prontifica-se a ajudá-la e, enquanto finge dar a assistência, ele ou o colega rouba a vítima.

Dinheiro falso. Além dos batedores de carteira, os turistas devem ficar atentos às notas falsas de pesos. Especialistas e policiais federais argentinos estimam que o dinheiro falso equivale a 3% do total do circulante argentino – cerca de 296 milhões de pesos (US$ 78 milhões).

Na maior parte das vezes, as cédulas de dinheiro falso são repassadas em táxis, remises (carros de aluguel), bares, restaurantes e lanchonetes. Os argentinos são o alvo cotidiano dos falsificadores. No entanto, em temporadas de grandes contingentes de turistas estrangeiros pouco familiarizados às notas de pesos, os falsários direcionam seus esforços para esse desprevenido público.

Até nos caixas. Do total de cédulas falsas apreendidas pela polícia, 60% são imitações das notas de 100 pesos (cerca de R$ 40). Outros 18% correspondem a imitações de cédulas de 50 pesos (cerca de R$ 20). E o pior: dinheiro falso também é encontrado com relativa frequência nos caixas eletrônicos, já que nos bancos não existe um mecanismo que evite totalmente a entrega de notas falsas.

Crédito: O Estado de S. Paulo

**O perigo e o cuidado existe em todo lugar. Prevenir e estar atento é a melhor opção ao visitar outro país. Estude um pouco sobre o lugar que vai conhecer para evitar dores de cabeça.

Perfil: Lorena Ermocida

Lorena Ermocida 2011

La Milonga Argentina entrevista Lorena Ermocida

En su niñez empezó la Escuela Nacional de Danzas, de Liniers, pero cuando Lorena Ermocida se recibió de profesora, ya bailaba tango:
Fue algo especial, cuando descubrí el tango me dije: ‘es esto’. Me apasionaba la comunicación con el otro, algo fundamental en el baile, más allá de la técnica que te da la libertad para expresarte”, explica esta gran bailarina, de técnica excelente y piernas maravillosas.

A los 16 años, hizo un curso con Mayoral y Elsa María. Luego otros organizadores, apenas vieron sus condiciones la convocaban para trabajos y castings. Así fue como participó de algunas emisiones de “Grandes Valores del Tango”, en televisión; luego concurrió a la escuela de Gloria y Eduardo; de ahí a las prácticas de Olga Besio y Gustavo Naveira; también a la de Mingo y Ester Pugliese; tomó clases privadas con Antonio Todaro, entre otros grandes  maestros, y se sumergió a diario en las milongas: “Todos me dieron  muchísimo. Todos y cada uno de ellos me aportó algo importante”.
A partir de 1989, Lorena Ermocida no paró más. Los primeros años bailó con su novio de entonces, quien en la actualidad vive y da clases en Barcelona. En el espectáculo “Solo Tango” en 1989 y principios del 90 trabajó con Naveira, Pedro Monteleone, Marcela Durán, Marta Antón… hasta que un día se cruzó con Osvaldo Zotto en la milonga de Canning, quien le dijo: “Vos tenés buenas piernas para bailar. ¿No querés bailar conmigo?”. Y le dijo que no, porque entonces bailaba con su novio.
Hasta que un día los dos se vuelven a encontrar. “La gente nos decía ‘ustedes tienen que bailar juntos’… Evidentemente, había algo especial que nos unía…Lo que pasa es que cuando empezamos a bailar, como solo éramos pareja de baile  todo fue  con mucho respeto, con diálogo, nos fuimos conociendo y  aprendimos a trabajar juntos, y por eso creo que duramos tantos años…”.

Llega el año ’94, Lorena realiza una gira a Canadá, luego es invitada al festival de Stanford, donde  “lo conozco a Copes, y me solicita como asistente”. Tiempo después, realiza una gran gira con Fabián Salas por los Estados Unidos. A su regreso hace temporada en Mar del Plata con el espectáculo de Copes, Gotán.
Solicitada siempre por su técnica, disciplina y talento, aprueba una audición para “Forever Tango”, pero finalmente se integra a “Tangox2”. Dicta cursos en Nueva York y Suiza, y a su regreso, de nuevo se reencuentra con Zotto, y realizan una exhibición en el cumpleaños del Club Almagro. Era fines del año 1996. Ahí nomás sale un viaje a Chile (en enero de 1997) y ya no se separan más.
“Recuerdo que allí dimos clases con mucho respeto el uno por el otro. El era un intuitivo, un talentoso. Yo tenía la capacidad de explicar y desglosar en forma pedagógica lo que tanto él como yo queríamos  transmitir”.

¿Qué los unía como pareja artísticamente?
Creo que los dos teníamos en común un gran sentimiento por el tango. Para ninguno de los dos era algo comercial. Y los dos coincidíamos mucho en que el baile era de a dos, bailar para el otro. Eso era lo primordial. En todos esos años recorrimos el mundo, desde Tokio, Singapur, Australia, España, Italia, recorrimos África, Latinoamérica, muchos lugares…

Osvaldo parecía que bailaba en cámara lenta…
Si. Es muy difícil transmitir mucho haciendo “poco”… ¡Y si es difícil hacerlo lento, imaginate seguirlo!… Lo que pasa es que él respiraba y yo sabía para dónde iba a seguir.

¿Que les dirías a quienes no llegaron a verlo bailar?
Que era un talentoso total, innato. Su único maestro fue Todaro, algunas clases con Mingo y lo que aprendió trabajando con Miguel.  Fue un gran talento que creó su estilo propio. Y su estilo se definió al encontrarnos  juntos.

Claro. Hay un Osvaldo antes y después de vos…
Conmigo se sintió libre. Yo podía expresarme y a la vez seguirlo sin  alterar en nada lo que él quisiera hacer

Osvaldo y vos encajaban perfectamente.
Nos sentíamos así, fue una pareja de mucho amor y empezamos a bailar en enero de 1997, formamos pareja en febrero de 1999 y bailamos hasta mayo de 2008.

¿No hubo exhibición de despedida?
No.  Nos separamos bien porque fue algo muy hablado, muy pensado, y era muy difícil seguir trabajando juntos. No queríamos lastimarnos, y hay que saber retirarse. En lo personal, cada uno tenía diferentes caminos. Yo quería formar una familia, otros objetivos. Las necesidades de vida de cada uno eran distintas…

Se emociona. Son muchos los recuerdos para Lorena…
Luego de la separación, en 2008, ella siguió la gira junto a Julio Iglesias con Juan Manuel Fernández y a fin del mismo año  se dedicó a dar clases por los Estados Unidos. La primera mitad del  año siguiente  acompañó a Copes en el show de la Esquina Carlos Gardel; luego se retiró para encabezar el espectáculo Tango Baile en su gira por Italia,  y en el 2010 recorrió Europa durante varios meses.
En la actualidad, no tiene pareja artística fija, pero realizó junto a  Fabián Peralta losFestivales de Filipinas, Chile, y Buenos Aires; y en lo personal está muy enamorada dePablo, un empresario inmobiliario que nada tiene que ver con el tango. “Siento que Dios me dio otra oportunidad…”, confiesa con recuperada alegría.
Este mes, la bailarina viajará a Florianópolis, donde participará del VIº Congreso do Tango(fue nuestra tapa de agosto de 2010), que organiza Fabiano Silveira. En marzo, participará del “Lady’s”, de Johana Copes.
Durante el año realizará distintas Giras por Europa. Participará junto a Fabián Peralta en el Festival de Corea y como jurado en Torino, por el Campeonato Mundial; más adelante a Australia y ya a mitad de octubre  retornará para quedarse por un tiempo en Buenos Aires.
Su gran pasión es bailar y dar clases: “Tengo varios alumnos del exterior que vienen por dos o tres meses a tomar clases, y eso es importante como docente. Me gusta aportar para que cada persona pueda bailar, ya sea como hobbie o como profesional”, define.
Cuando antes de la despedida, en su casa, junto a su perrita Bonnie, y su pareja, le preguntamos sobre su futuro, nos responde con sencillez y sinceridad, como ella siempre se muestra…
¿Cómo te gustaría encontrarte de aquí a diez años?
Me imagino en pareja con Pablo, con hijos, y en lo laboral, dando clases y viajando todavía.

Crédito: Revista la Milonga Argentina