Milonguita realiza processo seletivo de cavalheiros

Já somos a maioria. Pelo menos nos salões de dança é perceptível o número maior de mulheres do que de homens. Se eu revelasse o número real dos frequentadores das milongas em Brasília aposto que muitas mulheres murchariam nas suas cadeiras ao ler este artigo.

 Coloquem brilho no olhar e esperança meninas. Tenha uma notícia que vai deixar nossas queridas frequentadoras felizes. A milonguita, organizada em Brasília, no restaurante Ayala Café contará com equipe de cavalheiros própria. A seleção será feita pelo dono do estabelecimento Julio Ayala com o apoio de Rodrigo Mendes e Cléa de Paula. A expectativa é contratar homens para dançar durante a aula – que antecede a milonguita – e ao longo de todo o baile.

Verdade seja dita. As mulheres, na maioria dos casos, são mais desinibidas e buscam com maior frequência fazer aulas para se aperfeiçoarem. De fato, a gente investe mesmo porque gostamos de dançar e a nossa paixão declarada é o tango. Mas ainda não encontramos um número adequados de colegas do sexo oposto para nos acompanhar nesta prática tão prazerosa. Por causa disso que a decisão foi tomada.

Para participar da seleção o candidato deve preencher os critérios abaixo:

* Saber dançar tango.

*  Ter boa educação.

* Boa higiene.

* Ser discreto.

O cavalheiro receberá a quantia de R$100, com direito a jantar e bebida não alcóolica. Será fornecido água durante todo o período de trabalho. Os interessados devem entrar em contato até a próxima quinta-feira (5) pelos e-mails rodrigomgeo@yahoo.com.br ou julio@julioayala.com.br

Códigos: como funciona uma milonga

Foto: Julita Kissa

O tango é em primeiro lugar um gênero musical essencialmente dançante. Tem ritmo e estrutura que o distingue de outros. Nasceu no subúrbio em bairros mais distantes da capital e aos poucos foi aceito pela sociedade ganhando o centro de Buenos Aires. De lá invadiu a Europa, depois os Estados Unidos e hoje é dançado em toda parte do mundo.

A milonga, um estilo que preserva origem no tango tradicional também é usado para denominar os bailes de tango. Habitualmente o repertório consiste em tangos, tango vals e milongas. Os estilos são agrupados em tandas de três ou quatro músicas separadas por pequenas cortinas- um convite para se retirar da pista.

Para você que não conhece as regras de baile o Tangocandango disponibiliza aqui algumas delas que são usuais em Buenos Aires. As identificadas em vermelho são aquelas seguidas à risca no Brasil.

Tanda: Uma seqüência de músicas do mesmo estilo. Quando um cavalheiro tira uma dama para dançar ele fez o convite para dançar uma tanda inteira. Se você se retirar da pista antes do término pode ser identificado por outros do salão que houve desrespeito por parte do homem, ou ainda, que ele é um péssimo dançarino. Além de ser uma falta de educação. Priorize a harmonia e se não gostou, da próxima vez evite o convite.

Cabeceo: É um sinal feito com a cabeça indicando que você tem interesse. A mulher, por sua vez, pode aceitar fazendo gesto de afirmação ou simplesmente direcionar o olhar para outro lado caso não queira. Essa tradição evita que haja o constrangimento de levar um não como resposta e todos perceberem. A dama também tem o direito de escolher. Ao olhar fixo a um cavalheiro você emite o sinal de que deseja ir à pista. Nunca em Baires a mulher pode se levantar e chamar um homem pra dançar.

Enamorados: Não é permitido beijar durante a dança. Em algumas milongas tradicionais de Buenos Aires você pode receber uma “advertência” e se continuar o mau comportamento pode ser chamado a se retirar. Se em uma milonga tradicional a mulher sentar-se ao lado do seu parceiro de vida (namorado ou marido) não será convidada por outros cavalheiros. A menos que o ele se retire por um longo tempo da mesa.

Passos: Não são permitidos fazer passos que possam incomodar aos demais na pista. Como voleios e outras variações. Geralmente as milongas de Buenos Aires são lotadas de gente e eventualmente, você poderá machucar alguém. Ainda que o cavalheiro conduza para fazer um voleio faça um baixo, apenas riscando o chão. Assim evita olhares feios e recriminações. Se houver espaço aí sim você tem liberdade para sua dança. Mesmo assim, lembre-se: em comunidade o seu limite termina onde começa o do outro.