Montevideo: Baar Fun Fun

O centenário Baar Fun Fun (pronuncia-se funfum, mesmo) é um dos botecos mais antigos de Montevidéu. Fica num mercado na entrada da Cidade Velha. É daqueles lugares bem turísticos, com diversão garantida. Me atrevo a dizer que ir à cidade uruguai e não visitar este bar é o mesmo que ir ao Rio de Janeiro no carnaval e não ouvir um samba. Uma comparação forçada (risos!), mas que serve como orientação: NÃO DEIXE DE IR! Um ambiente convidativo para ouvir bons tangos ao vivo e apreciar casais de dançarinos!

Porque tanto me agradou? Bem, ele fica localizado em um região bem central, próximo ao Teatro Solis. Como eu e o grupo de amigos de Brasília ficamos em um hotel a dez quadras dali nos aventuramos a ir a pé até lá. Afinal, fazer turístico inclui caminhadas. Não há maneira melhor de conhecer e apreciar um lugar desconhecido.

Foto: Julita Kissa

A faixada do bar engana. Se apenas tivessem me levado na entrada eu diria que jamais teria ali um ambiente tão descolado. Ao entrar a gente se aventura. Um ambiente super apertadinho (leia-se pequeno), cheio de gravuras, quadros, bandeiras de times (passaram os são paulinos e botafoguenses por lá). A iluminação muito me agradou também. Fiquei bastante tempo observando os detalhes. Estes, aliás, construídos ao longo dos anos de atividades. Exatamente como uma decoração deve ser! #minhaopinião

Os dançarinos Federico Garcia e Lorena Gonzalez. Foto: Julita Kissa

Outra coisa que também me agradou foi a sensação de acolhida. Mas pra falar a verdade me senti assim a qualquer lugar que eu visitasse nessa linda cidade, chamada Montevideú. Quanta gente educada e solidária.Não poderia ser diferente no Baar Fun Fun. O garçom (=moço) Marcelo foi muito atencioso comigo. Era só sorrisos. Depois de eu ter dito que tinha um blog sobre tango no Brasil ele ficou ainda mais contente e me mostrou que ali tinha muitas coisas que contavam a história do tango na cidade. Objetos, gravuras, fotos.

Foto: Julita Kissa

Inclusive, nessa busca, descobri que o Carlos Gardel (uruguaio para quem não sabe) fez uma música dedicada ao Baar Fun Fun. Juro, é verdade. Ele era frequentador assíduo do lugar. Deixou uma foto autografada, que está pendurada entre muitos outros quadros. Mas hoje é confudido internacionalmente como porteño, porque foi do outro lado do mar del plata que fez sucesso como cantante de tango. Abaixo, na foto, se você tiver muita atenção encontrará o sorridente Gardel.

A quinta-feira com show de Carlos Pecoy e Lucho Martinez. Foto: Julita Kissa

Agora o não menos importante! As bebidas e comidas! Sim, gente, eu não esqueci de falar sobre isso. Oras, estamos falando de um bar. Não podia faltar os comentários sobre as maravilhas. O Baar Fun Fun é consagrado por uma bebida apelidade de “uvita”. É uma receita antiga, patenteada por eles e somente é encontrada ali. A base é vermute, seja lá o que isso significa. Por esse mesmo motivo me neguei a experimentar porque o garçom (moço) me disse que era uma bebida doce, pra lá de doce. Como de doce eu só gosto em sobremessas passei reto. E quer saber? Me arrependi. O meu amigo jornalista e cineasta, Gustavo Serrate, depois de ler um breve post aqui no blog pediu que eu levasse da viagem a bebida uvita. A super inteligente que vos fala não relacionou o nome a bebida sugerida pelo Marcelo, o garçom. Procurei em todas as vendas da cidade. #faltadecomunicação

Tem também a cerveja Patrícia! Verdade seja dita eu experimentei e não vi nada de diferente porque eu não conheço sobre cervejas e meu paladar não se agrada em degustar essa bebida tão apreciada por muitos. Também pedimos uma tábua de picadas – o que seria o equivalente a uma tábua de frios brasileira, só que mais farta. Tinha queijos de qualidade, salgadinhos, pimentinhas e outras delícias fritas. Resta saber como voltei de viagem quase dois quilos mais magra.Vai ver foi o frio e a comilança sem culpa. #julioensina

A linda mão da minha amiga Inez Ramos. Foto: Julita Kissa

Outra coisa bem interessante de experimentar é a media media. É esse o nome?! Corrijo depois se estiver errado! Um tipo de espumante branco, bem gostoso! Agradou o baladar de muitos. Na foto abaixo, você vê os detalhes da garrafa bem acomodada entre nós. Abstraia os cílios da pessoa em close na esquerda (eu), um exemplo que mesmo entre amigos eu não largo do celular. #víciodemais

Excurssão dos tangueros da cena brasiliense em Montevideú. Foto: Rodrigo Mendes

Nós visitamos o bar numa quinta-feira. De acordo com informações coletadas no site funciona de quarta a sábado, com shows ou atrações especiais. Vale lembrar que não é aceito nenhum tipo de cartão de crédito. No Baar Fun Fun é aceito somente a moeda local, o peso uruguaio. Também sugiro fazer a reserva com antecedência. Pelo site ou por telefone. Não deixe de colocar na lista de lugares para visitar na próxima viagem!!!

Serviço:

Baar Fun Fun – Montevideú.

www.baarfunfun.com

Info@baarfunfun.com

(598)2915-8005

Cuidadela 1229, Mercado Central.

Uruguai para os pães-duros

Visitar o país – a nova vedete do turismo na América do Sul – não exige muito dinheiro no bolso: só a vontade de rodar por aí e o coração aberto aos seus encantos

 Alfredo Durães /Correioweb

Publicação: 02/11/2011 02:00

A Casa Pueblo, espaço cultural diante do mar de Punta del Este

O velho vizinho do Sul é uma opção legal para quem quer novos horizontes sem necessariamente ter que enfiar a mão no fundo do bolso. Na mais pura concepção do jeito mochileiro de ser, o Turismo embarcou numa viagem de 10 dias que começa no voo direto para a capital uruguaia, com tarifa bem em conta. De resto, é seguir a cartilha dos sem muito dinheiro e curtir passeios a pé, de ônibus e, vá lá, um táxi de vez em quando, para conhecer os lugares — alguns bem inusitados, como o Palácio Salvo, construção em estilo eclético, edificado em Montevidéu na década de 1920. E, claro, se hospedar nos chamados hostels, os hotéis econômicos (mas com banheiro no quarto, o supremo luxo da categoria). Dá para gastar pouco, sem deixar de se divertir. Enfim, uma questão econômica.

Não vai doer no bolso

 Com tarifas econômicas, os voos diretos de Brasília a Montevidéu permitem ao turista chegar lá em duas horas e 30 minutos, e conhecer em seguida os atrativos do centro histórico da cidade. Entre eles, o Mercado do Porto

As parrillas estão em todos os cantos do Mercado do Porto: para acompanhar as deliciosas carnes uruguaias, vá de cerveja ou medio y medio

A grana pode estar curta, mas dá para, com alguma imaginação, inovar e tirar uns dias de férias no exterior. Já pensou no Uruguai, o mais recente campeão da Copa América de Futebol e quarto colocado na Copa de 2010? O país pode ser bem econômico, a começar pela passagem aérea, que tem preços a partir de R$ 491 (preço sujeito a alterações), ida e volta, em voo direto de Brasília para Montevidéu. Ele é diário, num percurso que dura duas horas e 30 minutos. Uma dica é procurar pelos voos da Pluna e comprar em sites de passagens, que dividem o valor em até 10 vezes sem aumento (na página da companhia, dá para fazer apenas três parcelas).

Ou seja, a questão do deslocamento fica resolvida por R$ 49 por mês. Os aviões são novos, e o serviço de bordo da empresa, espartano — mas, também, vai querer o quê com uma tarifa dessas? Outro detalhe: você não precisa gastar nada com passaporte, já que o documento exigido no serviço de imigração do Uruguai é somente a carteira de identidade, emitida há no máximo 10 anos.

Outra dica: não é necessário pegar os táxis oferecidos no excelente Aeroporto Internacional de Carrasco para chegar a Montevidéu, que fica às margens da Bacia do Prata. Um ônibus da empresa Cutcsa faz o trajeto até o Centro Histórico por 31 pesos, algo como R$ 3. Valor bem menor do que os US$ 45 cobrados pelos Mercedes-Benz que batem ponto no terminal de passageiros. Se não encontrar o ponto do ônibus, não se intimide. Pode perguntar ao uruguaio, que é muito solícito, ainda mais com brasileiros.

Hotel
Que tal um hotel pelo equivalente a R$ 70 (a diária) por pessoa, próximo do Centro Histórico da capital, perto de muitas atrações? Ou uma refeição caprichada por cerca de R$ 30 para duas pessoas? Uma cerveja por menos de R$ 5? Pois é, amigo, o Uruguai fica bem ali, logo depois do Rio Grande do Sul. E por falar em gaúchos, um dos maiores hábitos do cidadão uruguaio (mulher, criança, homens, todos) é tomar chimarrão, “sendo a cuia quase uma extensão dos braços da população”, conforme estava escrito num folheto turístico.

O hotel, anote aí, pode ser o Palacio (hotelpalacio.com.uy), a um quarteirão da Praça Independência, na Rua Bartolomé Mitre, 1364. É muito bem situado, próximo ao centro histórico (dá para ir a pé, coisa de oito quarteirões) e a poucos metros do Teatro Solís, uma das boas atrações da cidade. Este, construído na metade do século 19, em estilo eclético, é uma belíssima casa de espetáculos que também recebe visitantes em vários horários, inclusive nos fins de semana, para um tour guiado (em espanhol, português e inglês) com entrada a 40 pesos, pouco menos de R$ 4.

E voltando ao item onde ficar, o Hotel Palacio fica num prédio que deve logo comemorar seu centenário. Basta dizer que o elevador é daqueles com porta pantográfica, sempre reluzente, com detalhes em cor dourada. Um certo ar de antiguidade domina o lugar, mas os quartos são amplos, têm banheiros individuais e um bom serviço de camareira. O preço por pessoa é, claro, sem café da manhã. O Palacio não é o único na região com tarifas baixas. Basta entrar no site http://www.hostelbookers.com, que conta com hotéis de várias partes do mundo a preços módicos.

Morcilla
Há muitos outros pontos turísticos em Montevidéu, mas um deles é emblemático. Trata-se do Mercado do Porto, construído com estruturas metálicas entre 1865 e 1868, na Rambla 25 de Agosto. Ele é praticamente tomado por bares, botecos e restaurantes, tendo como carro-chefe a parrillada (carnes de vários tipos feitas em grandes churrasqueiras).

Com pouco menos de R$ 50, dá para duas pessoas comerem e beberem bem. Não podem faltar as cervejas Patricia ou Norteña, duas estrelas locais. Ou, ainda, o medio y medio (mistura de vinhos espumantes seco e doce), algo só encontrado no Uruguai. Finalmente, não deixe de provar a morcilla (chouriço), servida nas versões salgada e doce. Atenção: essa última não vem com açúcar, mas sim sem sal.

Na capital, domingo é dia de feira de antiguidades nos arredores da Rua Tristán Narvaja, próxima à grande Avenida 18 de Julho. E não deixe de ver, aos sábados à tarde, o encontro de pessoas que se reúnem para dançar tango nas praças Fabini e Cagancha. Aliás, como em outras cidades da América do Sul, praças grandes e bem cuidadas reinam em Montevidéu.

Punta del Este light

 Aproveite para conhecer a cidade e seus arredores antes do verão, sempre badalado e de altos preços. Visitas à Casa Pueblo e à fábrica de doces de leite Lapataia têm de estar na programação.

Enquanto no verão o bicho pega, com milhares de visitantes, no inverno e na primavera Punta del Este é totalmente diferente: os turistas são poucos e quase não interferem na paisagem da cidade balneário. E mesmo esse número reduzido vem muito mais pelo prazer de apostar em seus cassinos do que propriamente para curtir suas belezas. O friozinho passa longe dos ambientes aquecidos e cheios de roletas, cartas e máquinas caça-níqueis.

As praias em torno de Punta del Este, como José Ignacio, só ficam cheias na alta temporada

Melhor do que apostar, no entanto, é usar o pouco dinheiro para ganhar autonomia no balneário. A dica é alugar um carro em Montevidéu (os preços são baixos, se comparados aos do Brasil), seguir até Punta e, em quatro rodas, explorar todos os cantos, como a praia oceânica de El Grillo.

Na baixa temporada, a paisagem urbana é bem diferente em Punta del Este, que tem população fixa em torno dos 30 mil habitantes. Uma boa dica é desfrutar da paisagem da Tambo Lapataia, uma fazenda a 12 quilômetros da cidade, numa área rural repleta de boas paisagens. Tambo é o nome que se dá às propriedades produtoras de leite e seus derivados. Com o doce de leite como um de seus principais produtos, a Lapataia é aberta ao público e tem espaço para caminhadas, lago e restaurante típico, onde não falta a tradicional parrilla.

Não deixe de comprar o doce, autêntica iguaria, que custa cerca de R$ 10 para uma embalagem de 500 gramas. Mas nem tente trazer o produto para o Brasil: é grande a chance de ele ser apreendido nos aeroportos brasileiros, porque a fiscalização sanitária do Ministério da Agricultura proíbe a entrada. Perto, a pouco mais 15 minutos de carro, você chega ao grande Lago Sauce, com suas praias de água doce, muitas casas de veraneio e uma paisagem bem bonita.

As formas únicas da Casa Pueblo, construída pelo artista Carlos Paez Vilaró: local mistura museu e hotel, e tem a melhor vista do mar em Punta
As formas únicas da Casa Pueblo, construída pelo artista Carlos Paez Vilaró: local mistura museu e hotel, e tem a melhor vista do mar em Punta

Quem vai na cidade tem obrigação de, pelo menos um dia, ir à vizinha Punta Ballena, bem próxima, e conhecer a Casa Pueblo. No lugar, sempre às 18h em ponto, ouve-se a voz gravada do artista Carlos Paez Vilaró (leia o Para saber mais) recitar, por alto-falante, um de seus poemas. O ambiente é tomado por ares mágicos, impulsionados pela arquitetura singular da Casa Pueblo, construída pelo artista, num penhasco à beira do Atlântico. Nesse instante, da sacada da construção, o turista afortunado mira o mar e, viaja, viaja, viaja. (AD)

Crédito: Alfredo Durães, jornal Correio Braziliense.

Montevidéu é refúgio na América do Sul

PASQUALE CIPRO NETO
COLUNISTA DA FOLHA

13/10/2011 – 07h52

Montevidéu é logo ali. Bastam duas horas e 20 minutos de voo (de Guarulhos) para chegar ao meu refúgio. Sim, Montevidéu é o meu refúgio na América do Sul. “Que tanto você faz lá?”, perguntam minha mãe e alguns amigos. “Já sei, você tem uma namorada lá.”

Sim, tenho uma namorada lá. Aliás, várias namoradas. Uma delas é a própria cidade -quieta, calma, educada, gentil, moderna e conservadora ao mesmo tempo, com um certo ar retrô, de coisa antiga, que não existe mais.

Atravesso as ruas calmamente, sem medo (bem, de vez em quando aparece um carro com placa do Brasil…). Ando de ônibus pela cidade, e nada de solavancos, aceleradas, freadas bruscas… Montevidéu, que tem 1,4 milhão de habitantes, parece uma pequena grande cidade do interior.

Outra de minhas namoradas é a “rambla” (avenida costeira) de Montevidéu. Com mais de 20 km de extensão, o belo e tranquilo calçadão é perfeito para caminhadas. As imponentes águas do rio da Prata estão ali, ao lado, para que a imaginação voe longe.

Quando passo pelo longo trecho que o calçadão percorre no elegante e silencioso bairro de Pocitos, onde morou Vinicius de Moraes quando serviu na embaixada brasileira em Montevidéu, olho para o mar de suntuosos prédios e fico pensando em qual deles o Poetinha morou e escreveu muitas das suas maravilhas (“…também eu deixava-me estar no terraço de meu apartamento, um dos mais altos de Pocitos”).

Outra das minhas namoradas uruguaias é a comida. Em Pocitos há ótimos restaurantes. Um deles, o Francis (Luís de la Torre, 502), oferece massas, peixes, carnes e vinhos de altíssimo nível, a preços muito mais honestos do que os cobrados em restaurantes paulistanos inferiores. Somada à qualidade da comida há a fina educação e o alto preparo dos garçons.

Outra boa opção em Pocitos é o Trouville (Chucarro, 1.031), do mesmo dono do ótimo El Tranvía, restaurante uruguaio de São Paulo. No centro (Bacacay, 1.339) e em Pocitos (26 de marzo, 3.586), há o também ótimo Panini’s, que prepara deliciosas massas, a preços compatíveis, e oferece vinhos excelentes, a preços estranhamente superiores aos da concorrência.

Vanessa Corrêa da Silva/Folhapress- Interior do teatro Solís, mais antiga casa de espetáculos de Montevidéu

No centro de Montevidéu, encontro outra namorada, a atividade cultural da cidade. Na avenida 18 de Julio, 1.012, está a sala Zitarrosa, onde sempre é possível assistir a bons espetáculos musicais, muitas vezes gratuitos.

Perto dali, está o imponente teatro Solís, inaugurado em 1856, que vale a pena visitar (há visitas guiadas). Eclética, a programação do teatro inclui música (popular e clássica), ópera, teatro, dança etc.

Outra das minhas namoradas uruguaias é a bebida de Baco, ou seja, o vinho. O melhor vinho uruguaio é o da uva tannat. Várias “bodegas” uruguaias já ganharam medalha de ouro com seus tannats. Uma delas, a H. Stagnari, produz, entre outros, o Tannat Viejo, o Daymán e o Dinastia, várias vezes premiados mundo afora.

Um belo programa é visitar as bodegas. A da Bouza (que fica na área rural de Montevidéu) é encantadora, a começar pela linda construção em que fica seu ótimo restaurante. Vale a pena chegar para o impecável almoço (é preciso reservar) e passar um bom pedaço da tarde por lá.

A uruguaia Pluna tem quatro voos diários de Guarulhos para Montevidéu, em seus jatos Bombardier CRJ-900. A TAM e a Gol têm dois voos diários de Guarulhos (a Gol faz escala em Porto Alegre).

Montevidéu é logo ali. Se você gosta de sossego, gente educada, silenciosa e discreta, belos passeios, boa comida y otras cositas, vá. Quem sabe você também se enrede definitivamente com todas essas minhas namoradas. É isso.

Crédito: Pasquale Cipro Neto, Folha de São Paulo.