Orquestra típica Fernández Fierro se apresenta em Brasília

Tango Candango -Brasília

Por Julita Kissa

A orquestra Típica Fernández Fierro vem ao Brasil mais uma vez para apresentar o repertório do novo disco. A formação é composta por jovens músicos, que por influência do rock trouxeram mais personalidade ao tango portenho.

A turnê começa em Porto Alegre, segue para Florianópolis e chega à capital federal para três apresentações. Esta é a segunda vez que a orquestra Fernández Fierro vem a Brasília. A primeira foi em 2009 com única apresentação no Teatro da Caixa.

Formada em 2001, a orquestra  começou com apresentações na tradicional feira de San Telmo, em Buenos Aires. Atualmente, os doze integrantes se apresentam em espaço próprio, localizado no bairro portenho de Almagro, antiga oficina mecânica que lota todas as quartas.

O último álbum Fernández Fierro foi gravado em 2009. Entre o repertório, Bluses de Boedo (Alfredo “Tape” Rubin), Avenida desmayo (Yuri Venturín), Una Larga Noche (Chabuca Granda) e Azucena Alcoba (Yuri Venturín). Também interpretam clássicos como Corrientes y Esmeralda, com atitude e voracidade.

A formação é típica de uma orquestra de tango. Mas que vai além do tradicional, buscando diferenciação no feito de agir, sentir e falar de tango. E talvez, por esse motivo, foram ganhadores do prêmio Gardel da Música 2010, na categoria “Mejor Álbum Orquestra de Tango”.

Crédito: tangocandango

Texto: Julita Kissa

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Apresentações

Porto Alegre

16/11 – 21 horas

Opinião

Rua José Patrocínio 834.

Ingressos: R$25 (mezanino) e R$50 cadeira.

www.opiniao.com.br

Florianópolis

19/11 21 horas

Teatro Governador Pedro Ivo

Bairro Saco Grande, Anexo ao Centro Administrativo de governo. Rodovia SC – 401, KM 5 nº 4.600

R$50 inteira R$25 meia

www.teatropedroivo.sc.gov.br

Brasília

19/11 (sexta), às 21 horas

20/11 (sábado), às 21 horas

21/11 (domingo), às 20 horas

Teatro Oi – Brasília Alvorada (antigo Blue Tree)

SHTN Trecho 1, Conj. 1B, Bloco C – Vizinho do Palácio da Alvorada

R$ 100  inteira e R$50,00 meia

www.teatrooi.com.br

Telefone: (61) 3424-7121

**Interessados também podem comprar os ingresso no site www.ingresso.com.br. Lá, a inteira custa R$115.

Assistam ao vídeo. Para quem acompanha o blog, sabe que só indico coisas legais. É o estilo que mais gosto. Tango bem marcado. Me arrepiei !

Mais informações acessem o site http://www.fernandezfierro.com/

Gotan Project volta às raizes em “Tango 3.0” e mostra show no Brasil

30/09/2010 – 07h

PEDRO CARVALHO
Colaboração para o UOL

Integrantes do Gotan Project em foto de divulgação do álbum "Tango 3.0"

Ouça aqui o novo album do Gotan Project

Formado em Paris há dez anos a partir da união do argentino Eduardo Makaroff com o francês Philippe Cohen Solal e o suiço Christoph Muller, o Gotan Project é o principal nome do que veio a ser chamado de “tango eletrônico”. Misturando as origens dos três integrantes na música eletrônica, jazz e no próprio tango argentino, o grupo rapidamente espalhou pelo mundo o som inconfundível que lhes rendeu mais de 2 milhões de discos vendidos dos dois primeiros álbuns, “La Revancha Del Tango” e “Lunático”.

Agora, com o terceiro, “Tango 3.0”, a banda volta ao Brasil em outubro para apresentar o novo repertório, que o programador e tecladista Christoph Muller define como “uma volta às origens”. Os shows acontecerão no Rio de Janeiro no dia 6 de outubro no Vivo Rio, dia 7 em São Paulo no HSBC Brasil, dia 13 em Salvador no Teatro Castro Alves e dia 15 em Porto Alegre no Teatro do SESI.

Eclético, o novo trabalho traz, além do tango e da música eletrônica, referências a gêneros do sul dos EUA, como o rockabilly e o som de Nova Orleans. A primeira faixa, “Tango Square”, inclusive, conta com a participação de um dos grandes ícones da cidade berço do jazz, o cantor, tecladista e band-leader Dr. John.

Em entrevista ao UOL, o bem humorado Christoph Muller falou sobre os shows no Brasil, o processo de criação de “Tango 3.0” e a identidade multicultural do grupo.

UOL Música – Como você se sente voltando a tocar no Brasil?
Christoph Muller – Ótimo. É um prazer absoluto para mim. Não estou dizendo isso só porque estou falando com você, mas estive por todo o mundo e o Brasil é um lugar em que todos nós amamos tocar. É um país muito musical com um público ótimo. O público brasileiro é muito curioso e gosta muito de música. É uma parte muito importante do dia-a-dia de vocês e isso faz com que as platéias tenham a mente aberta e muito entusiasmo. Estou ansioso para voltar e tocar aí novamente!

UOL Música – Os shows desta vez serão muito diferentes da última visita? O que há de novo?
Muller – É um show completamente diferente. A maioria do repertório é formada por músicas do novo álbum e algumas inéditas, que gravamos junto com ele. Claro que também tocaremos algumas coisas antigas, do primeiro disco, como “Epoca” e “Santa María”, além de uma ou duas do segundo. Além disso, o cenário é totalmente novo, com vídeos novos também. Os músicos ainda são os mesmos, mas agora também temos um trumpetista, já que o novo álbum tem muitos arranjos com metais.

UOL Música – Como você compara as idéias e o som de “Tango 3.0” com os dois primeiros álbuns?
Muller – De certa forma, neste álbum quisemos voltar às origens. Ou seja, a um som mais eletrônico, apesar de que talvez isso seja difícil de perceber. A idéia foi trazer de volta o clima mais espontâneo que tínhamos no começo. Nosso segundo disco é mais próximo do tango clássico e tem um som mais limpo. Desta vez então, buscamos uma sonoridade mais suja e “sulista”, com idéias mais irreverentes e mistura de estilos.

UOL Música – O curioso é que junto com a produção mais eletrônica, o novo álbum também tem mais elementos de gêneros musicais “de raiz”, como o rockabilly e a música de Nova Orleans. Como vocês conseguiram combinar estes dois elementos quase paradoxais?
Muller – É algo que fazemos desde o começo. Gostamos de encontrar essas pontes entre estilos que não são obviamente relacionados, mas que funcionam bem juntos. Às vezes são pontes geográficas, como entre Buenos Aires e Nova Orleans, que são cidades com um ambiente parecido, por terem portos, estarem à margem de rios importantes. A origem e evolução do jazz são parecidas com as do tango. São estilos “primos” e fazem sentido juntos.

A combinação dos elementos eletrônicos e acústicos é um trabalho longo. Para fazer funcionar, não podemos pender demais para nenhum dos dois lados. Chegamos a essas idéias através da experimentação. Por exemplo, podemos inventar um riff meio bluegrass, que por sua vez foi inspirado no Led Zeppelin… e por aí vai. É quase uma brincadeira. Nós criamos as músicas com os três integrantes no estúdio juntos, fazendo um pingue pongue de idéias e experimentando com os instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos disponíveis. Compusemos 20 músicas em 20 dias e fomos cortando até sobrarem as 11 do disco.

UOL Música – Uma surpresa do disco novo foi a participação do Dr. John. Como foi trabalhar com ele?
Muller – Foi uma colaboração muito especial, que aconteceu de um jeito engraçado. Estávamos trabalhando nesta música (“Tango Square”) e o Philippe estava indo para Nova Orleans por outros motivos não relacionados ao disco. Então, como já tínhamos pensado em usar o órgão Hammond nessa faixa, pensamos que se ele conseguisse que o Dr. John tocasse seria ótimo. O Dr. John já tem uma certa idade e só faz o que quer. Estava acontecendo um festival por lá na época e uma semana antes ele havia se recusado a participar de um show do Bon Jovi na cidade ou algo assim. Por sorte ele curtiu a idéia de tocar no nosso disco. O engraçado é que ao desembarcar no aeroporto de Nova Orleans, a primeira coisa que o Philippe viu foi um poster gigante do Dr. John.

UOL Música – Vocês são uma banda baseada em Paris, formada por integrantes de três nacionalidades diferentes e tocando uma combinação de música argentina com elementos internacionais. Qual é a verdadeira nacionalidade da banda?
Muller – Bem, algumas pessoas na Argentina dizem que somos uma banda argentina (risos). Bem, eu sei que a nossa música funciona bem em Buenos Aires, mas somos mais universais do que isso. O próprio tango viajou pelo mundo e se tornou um gênero universal, assim como a música brasileira. A bossa nova também é um estilo universal.

UOL Música O tango está presente no própio nome do grupo (“Gotan” é uma inversão das sílabas de “tango”). Às vezes vocês se sentem limitados por esta associação a um estilo em particular?
Muller – Basicamente é o que somos! É como começamos, a definição da banda. O interessante é que por isso temos esses limites que podem parecer uma prisão, mas na verdade têm o efeito contrário. Por explorarmos o folclore e os temas argentinos, temos que pegar esses limites e empurrá-los cada vez mais adiante. É por isso que não mudamos totalmente de estilo, não faria sentido. Dizem que você não chega ao tango, ele chega até você. Foi o que aconteceu comigo.


GOTAN PROJECT NO BRASIL

Rio de Janeiro
Quando:
6 de outubro, a partir das 22h
Onde: Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85
Quanto: De R$ 80 a R$ 250
Ingressos: vivorio.com.br

São Paulo
Quando:
7 de outubro, a partir das 22h
Onde: HSBC Brasil – Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antonio
Quanto: De R$ 100 a R$ 300
Ingressos: hsbcbrasil.com.br

Salvador
Quando:
13 de outubro, a partir das 21h
Onde: Teatro Castro Alves – Praça Dois de Julho, s/n
Quanto: De R$ 80 a R$ 140
Informações: www.tca.ba.gov.br

Porto Alegre
Quando:
15 de outubro, a partir das 21h
Onde: Teatro do SESI – Av. Assis Brasil, 8.787
Quanto: De R$ 80 a R$ 140
Informações: www.centrodeeventosfiergs.com.br

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