Para apreciar..

 

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Para conhecer…

Ozgur Demir

Cidadão turco e residente em Buenos Aires desde 2007. Começou sua vida professional  tango na Turquia. Para ele, o tango é a única maneira de ter uma comunicação plena com outra pessoa, tornando-se um dos dois, não só com o corpo, passos ou música, mas também com as almas! Ele aprendeu os primeiros passos de tango na linda cidade de Eskisehir, onde estudou, em seguida, ele pegou dois workshops com o famoso bailarino e professor turco Metin Yazir. Depois que ele chegou em Buenos Aires, estudou com professores conhecidos como Fabian Salas, Julio Balmaceda, Gustavo Naveira e Frumboli Chicho. Mas foi a prática que aprimorou a sua dança. Atualmente trabalha com Marina Marques, mas também trabalhou com Cecilia Berra por um ano. Atuou em muitas milongas de Buenos Aires como a Practica X, Tangolab, Tangocool, Milonga Louca, Maldita, El Beso e etc.

Em Buenos Aires, deu aulas regulares no no Tango Brujo. Seu trabalho é reconhecido na Europa, com diversos workshop’s em Paris, Amsterdã, Berlim, Basileia, Reykjavik, Stocholm, Moscovo, Bruxelas, Madrid.  O segredo do seu trabalho está em  buscar melhorar e aprender.

Marina Marques

Nasceu em São Paulo, Brasil. Iniciou sua carreira artística aos 11 anos de idade, realizou diversos cursos  incluso teatro. Cinco anos mais tarde se interessou em danças latinas.  Dedicou atenção à dança, realizou diversos cursos e aulas com os mais renomados professores. Até que por fim ganhou o título de professora de forró, samba e zouk. Sua necessidade de prosperidade para aprender coisas novas lhe deu o impulso para estudar dança moderna com a “Cia Raça de São Paulo”.Depois ela se especializou em tango, estudando com Jaime Arôxa, Bolaño Ronaldo e Giovanni Giggio do Brasil. Em seguida, ela se mudou para Buenos Aires e trabalhou a dança com professores muito bem conhecidos e de diferentes estilos do tango para melhorar suas habilidades. Atualmente, ela dá aulas e faz performances com o parceiro por toda a Europa, Argentina e Brasil.

Ozgur Demir e Marina Marques. Foto: Divulgação

 

**Recentemente ministraram workshop na academia de dança Improviso, em Botafogo (RJ). A academia é ministrada por Alice Vasques e André Sampaio. De passagem pelo Rio é lugar obrigatório para visitar.

Informações: Ozgur Demir, site oficial.

Gotan Project volta às raizes em “Tango 3.0” e mostra show no Brasil

30/09/2010 – 07h

PEDRO CARVALHO
Colaboração para o UOL

Integrantes do Gotan Project em foto de divulgação do álbum "Tango 3.0"

Ouça aqui o novo album do Gotan Project

Formado em Paris há dez anos a partir da união do argentino Eduardo Makaroff com o francês Philippe Cohen Solal e o suiço Christoph Muller, o Gotan Project é o principal nome do que veio a ser chamado de “tango eletrônico”. Misturando as origens dos três integrantes na música eletrônica, jazz e no próprio tango argentino, o grupo rapidamente espalhou pelo mundo o som inconfundível que lhes rendeu mais de 2 milhões de discos vendidos dos dois primeiros álbuns, “La Revancha Del Tango” e “Lunático”.

Agora, com o terceiro, “Tango 3.0”, a banda volta ao Brasil em outubro para apresentar o novo repertório, que o programador e tecladista Christoph Muller define como “uma volta às origens”. Os shows acontecerão no Rio de Janeiro no dia 6 de outubro no Vivo Rio, dia 7 em São Paulo no HSBC Brasil, dia 13 em Salvador no Teatro Castro Alves e dia 15 em Porto Alegre no Teatro do SESI.

Eclético, o novo trabalho traz, além do tango e da música eletrônica, referências a gêneros do sul dos EUA, como o rockabilly e o som de Nova Orleans. A primeira faixa, “Tango Square”, inclusive, conta com a participação de um dos grandes ícones da cidade berço do jazz, o cantor, tecladista e band-leader Dr. John.

Em entrevista ao UOL, o bem humorado Christoph Muller falou sobre os shows no Brasil, o processo de criação de “Tango 3.0” e a identidade multicultural do grupo.

UOL Música – Como você se sente voltando a tocar no Brasil?
Christoph Muller – Ótimo. É um prazer absoluto para mim. Não estou dizendo isso só porque estou falando com você, mas estive por todo o mundo e o Brasil é um lugar em que todos nós amamos tocar. É um país muito musical com um público ótimo. O público brasileiro é muito curioso e gosta muito de música. É uma parte muito importante do dia-a-dia de vocês e isso faz com que as platéias tenham a mente aberta e muito entusiasmo. Estou ansioso para voltar e tocar aí novamente!

UOL Música – Os shows desta vez serão muito diferentes da última visita? O que há de novo?
Muller – É um show completamente diferente. A maioria do repertório é formada por músicas do novo álbum e algumas inéditas, que gravamos junto com ele. Claro que também tocaremos algumas coisas antigas, do primeiro disco, como “Epoca” e “Santa María”, além de uma ou duas do segundo. Além disso, o cenário é totalmente novo, com vídeos novos também. Os músicos ainda são os mesmos, mas agora também temos um trumpetista, já que o novo álbum tem muitos arranjos com metais.

UOL Música – Como você compara as idéias e o som de “Tango 3.0” com os dois primeiros álbuns?
Muller – De certa forma, neste álbum quisemos voltar às origens. Ou seja, a um som mais eletrônico, apesar de que talvez isso seja difícil de perceber. A idéia foi trazer de volta o clima mais espontâneo que tínhamos no começo. Nosso segundo disco é mais próximo do tango clássico e tem um som mais limpo. Desta vez então, buscamos uma sonoridade mais suja e “sulista”, com idéias mais irreverentes e mistura de estilos.

UOL Música – O curioso é que junto com a produção mais eletrônica, o novo álbum também tem mais elementos de gêneros musicais “de raiz”, como o rockabilly e a música de Nova Orleans. Como vocês conseguiram combinar estes dois elementos quase paradoxais?
Muller – É algo que fazemos desde o começo. Gostamos de encontrar essas pontes entre estilos que não são obviamente relacionados, mas que funcionam bem juntos. Às vezes são pontes geográficas, como entre Buenos Aires e Nova Orleans, que são cidades com um ambiente parecido, por terem portos, estarem à margem de rios importantes. A origem e evolução do jazz são parecidas com as do tango. São estilos “primos” e fazem sentido juntos.

A combinação dos elementos eletrônicos e acústicos é um trabalho longo. Para fazer funcionar, não podemos pender demais para nenhum dos dois lados. Chegamos a essas idéias através da experimentação. Por exemplo, podemos inventar um riff meio bluegrass, que por sua vez foi inspirado no Led Zeppelin… e por aí vai. É quase uma brincadeira. Nós criamos as músicas com os três integrantes no estúdio juntos, fazendo um pingue pongue de idéias e experimentando com os instrumentos musicais e equipamentos eletrônicos disponíveis. Compusemos 20 músicas em 20 dias e fomos cortando até sobrarem as 11 do disco.

UOL Música – Uma surpresa do disco novo foi a participação do Dr. John. Como foi trabalhar com ele?
Muller – Foi uma colaboração muito especial, que aconteceu de um jeito engraçado. Estávamos trabalhando nesta música (“Tango Square”) e o Philippe estava indo para Nova Orleans por outros motivos não relacionados ao disco. Então, como já tínhamos pensado em usar o órgão Hammond nessa faixa, pensamos que se ele conseguisse que o Dr. John tocasse seria ótimo. O Dr. John já tem uma certa idade e só faz o que quer. Estava acontecendo um festival por lá na época e uma semana antes ele havia se recusado a participar de um show do Bon Jovi na cidade ou algo assim. Por sorte ele curtiu a idéia de tocar no nosso disco. O engraçado é que ao desembarcar no aeroporto de Nova Orleans, a primeira coisa que o Philippe viu foi um poster gigante do Dr. John.

UOL Música – Vocês são uma banda baseada em Paris, formada por integrantes de três nacionalidades diferentes e tocando uma combinação de música argentina com elementos internacionais. Qual é a verdadeira nacionalidade da banda?
Muller – Bem, algumas pessoas na Argentina dizem que somos uma banda argentina (risos). Bem, eu sei que a nossa música funciona bem em Buenos Aires, mas somos mais universais do que isso. O próprio tango viajou pelo mundo e se tornou um gênero universal, assim como a música brasileira. A bossa nova também é um estilo universal.

UOL Música O tango está presente no própio nome do grupo (“Gotan” é uma inversão das sílabas de “tango”). Às vezes vocês se sentem limitados por esta associação a um estilo em particular?
Muller – Basicamente é o que somos! É como começamos, a definição da banda. O interessante é que por isso temos esses limites que podem parecer uma prisão, mas na verdade têm o efeito contrário. Por explorarmos o folclore e os temas argentinos, temos que pegar esses limites e empurrá-los cada vez mais adiante. É por isso que não mudamos totalmente de estilo, não faria sentido. Dizem que você não chega ao tango, ele chega até você. Foi o que aconteceu comigo.


GOTAN PROJECT NO BRASIL

Rio de Janeiro
Quando:
6 de outubro, a partir das 22h
Onde: Vivo Rio – Av. Infante Dom Henrique, 85
Quanto: De R$ 80 a R$ 250
Ingressos: vivorio.com.br

São Paulo
Quando:
7 de outubro, a partir das 22h
Onde: HSBC Brasil – Rua Bragança Paulista, 1281, Chácara Santo Antonio
Quanto: De R$ 100 a R$ 300
Ingressos: hsbcbrasil.com.br

Salvador
Quando:
13 de outubro, a partir das 21h
Onde: Teatro Castro Alves – Praça Dois de Julho, s/n
Quanto: De R$ 80 a R$ 140
Informações: www.tca.ba.gov.br

Porto Alegre
Quando:
15 de outubro, a partir das 21h
Onde: Teatro do SESI – Av. Assis Brasil, 8.787
Quanto: De R$ 80 a R$ 140
Informações: www.centrodeeventosfiergs.com.br

Leia a integra da matéria aqui

Códigos: como funciona uma milonga

Foto: Julita Kissa

O tango é em primeiro lugar um gênero musical essencialmente dançante. Tem ritmo e estrutura que o distingue de outros. Nasceu no subúrbio em bairros mais distantes da capital e aos poucos foi aceito pela sociedade ganhando o centro de Buenos Aires. De lá invadiu a Europa, depois os Estados Unidos e hoje é dançado em toda parte do mundo.

A milonga, um estilo que preserva origem no tango tradicional também é usado para denominar os bailes de tango. Habitualmente o repertório consiste em tangos, tango vals e milongas. Os estilos são agrupados em tandas de três ou quatro músicas separadas por pequenas cortinas- um convite para se retirar da pista.

Para você que não conhece as regras de baile o Tangocandango disponibiliza aqui algumas delas que são usuais em Buenos Aires. As identificadas em vermelho são aquelas seguidas à risca no Brasil.

Tanda: Uma seqüência de músicas do mesmo estilo. Quando um cavalheiro tira uma dama para dançar ele fez o convite para dançar uma tanda inteira. Se você se retirar da pista antes do término pode ser identificado por outros do salão que houve desrespeito por parte do homem, ou ainda, que ele é um péssimo dançarino. Além de ser uma falta de educação. Priorize a harmonia e se não gostou, da próxima vez evite o convite.

Cabeceo: É um sinal feito com a cabeça indicando que você tem interesse. A mulher, por sua vez, pode aceitar fazendo gesto de afirmação ou simplesmente direcionar o olhar para outro lado caso não queira. Essa tradição evita que haja o constrangimento de levar um não como resposta e todos perceberem. A dama também tem o direito de escolher. Ao olhar fixo a um cavalheiro você emite o sinal de que deseja ir à pista. Nunca em Baires a mulher pode se levantar e chamar um homem pra dançar.

Enamorados: Não é permitido beijar durante a dança. Em algumas milongas tradicionais de Buenos Aires você pode receber uma “advertência” e se continuar o mau comportamento pode ser chamado a se retirar. Se em uma milonga tradicional a mulher sentar-se ao lado do seu parceiro de vida (namorado ou marido) não será convidada por outros cavalheiros. A menos que o ele se retire por um longo tempo da mesa.

Passos: Não são permitidos fazer passos que possam incomodar aos demais na pista. Como voleios e outras variações. Geralmente as milongas de Buenos Aires são lotadas de gente e eventualmente, você poderá machucar alguém. Ainda que o cavalheiro conduza para fazer um voleio faça um baixo, apenas riscando o chão. Assim evita olhares feios e recriminações. Se houver espaço aí sim você tem liberdade para sua dança. Mesmo assim, lembre-se: em comunidade o seu limite termina onde começa o do outro.

Adeus Copa

Me lembro como se fosse hoje. Copa de 98 todos reunidos em casa. Eu tinha apenas 12 anos e adorava acompanhar os jogos do Brasil.  Foi um choro comovido e abalado. Lembro de todos os meus amigos na escola tristes.

Dessa vez foi diferente. Bem, não tão diferente porque o Brasil perdeu novamente. Mas o sentimento não foi o mesmo. Foi apenas de : eu esperava que perdesse na final e não agora.

Vi muita gente dizer “poxa perdi meu feriado na terça-feira”. Será que o brasileiro está perdendo a paixão pelo futebol?

Eu agora vou torcer para Argentina. Não porque gosto de tango, mas porque a seleção está com raça e espírito de vitória. Aquele mesmo astral que levou ao Brasil a vitória em 94.

Deixo aqui o depoimento do dançarino e professor de tango Sebastian Arce para nós brasileiros no Facebook.

“Brasil afuera… que pena! sufre america… todas las esperanzas todas en Argentina! Mi abrazo de condolencia para todos mis amigos brasileros”